{"id":7899,"date":"2013-08-22T15:41:24","date_gmt":"2013-08-22T17:41:24","guid":{"rendered":"https:\/\/www.26notas.com.br\/blog\/\/?p=7899"},"modified":"2013-08-22T15:41:24","modified_gmt":"2013-08-22T17:41:24","slug":"diferente-da-sentenca-mediacao-restaura-comunicacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.26notas.com.br\/blog\/?p=7899","title":{"rendered":"Conjur: Diferente da senten\u00e7a, media\u00e7\u00e3o restaura comunica\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"color: #000000;\"><strong>VOZ DAS PARTES<\/strong><\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">&#8216;Diferente da senten\u00e7a, media\u00e7\u00e3o restaura comunica\u00e7\u00e3o&#8217;<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #0000ff;\"><a href=\"http:\/\/www.conjur.com.br\/2013-ago-18\/entrevista-mirian-blanco-muniz-mediadora-psicologa-terapeuta-familiar#autores\"><span style=\"color: #0000ff;\">Por Alessandro Cristo<\/span><\/a>\u00a0<\/span><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.26notas.com.br\/blog\/\/wp-content\/uploads\/2013\/08\/Sem-t\u00edtulo.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-7900 alignleft\" title=\"Sem t\u00edtulo\" src=\"https:\/\/www.26notas.com.br\/blog\/\/wp-content\/uploads\/2013\/08\/Sem-t\u00edtulo.jpg\" alt=\"\" width=\"259\" height=\"255\" \/><\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sem o formalismo da Justi\u00e7a ou o glamour da arbitragem, a media\u00e7\u00e3o tem avan\u00e7ado como forma alternativa para solu\u00e7\u00e3o de conflitos, ao pacificar e at\u00e9 restaurar rela\u00e7\u00f5es contenciosas ou dadas como perdidas. Apropriada para casos em que s\u00e3o advers\u00e1rias partes ligadas por la\u00e7os familiares, societ\u00e1rios ou condominiais, a media\u00e7\u00e3o virou obriga\u00e7\u00e3o dos tribunais gra\u00e7as \u00e0 Resolu\u00e7\u00e3o 125 do Conselho Nacional de Justi\u00e7a, editada em 2010. A norma determina que as cortes devem criar centros de concilia\u00e7\u00e3o e media\u00e7\u00e3o \u2014 os Centros de Justi\u00e7a e da Cidadania (Cejusc) \u2014 por onde devem passar processos com chances de acordo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">S\u00f3 no estado de S\u00e3o Paulo j\u00e1 funcionam 57 Cejuscs, sendo dois na capital. At\u00e9 o fim de 2013 ser\u00e3o instalados mais 41. N\u00fameros da Justi\u00e7a paulista mostram que 2.979 conciliadores e mediadores trabalharam, entre janeiro e novembro do ano passado, em 373.132 audi\u00eancias pr\u00e9 e p\u00f3s-processuais. O resultado foram 106.877 acordos fechados sem necessidade de senten\u00e7a.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/www.26notas.com.br\/blog\/\/wp-content\/uploads\/2013\/08\/Livro.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-7901 alignleft\" title=\"Livro\" src=\"https:\/\/www.26notas.com.br\/blog\/\/wp-content\/uploads\/2013\/08\/Livro.jpg\" alt=\"\" width=\"180\" height=\"230\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Comp\u00f5em esse ex\u00e9rcito de mediadores pessoas de todas as forma\u00e7\u00f5es, que trabalham gratuitamente com a responsabilidade de evitar que discuss\u00f5es se eternizem em\u00a0 processos judiciais. A experi\u00eancia desses facilitadores \u00e9 descrita na obra rec\u00e9m publicada pela editora Dash\u00a0<em>Uma outra verdade na media\u00e7\u00e3o<\/em>, da mediadora, psic\u00f3loga e terapeuta familiar\u00a0<strong>Mirian Blanco Muniz<\/strong>. Com experi\u00eancia de nove anos na \u00e1rea, seis deles no F\u00f3rum de Santana, na capital paulsita, ela narra no livro, por meio de um relato fict\u00edcio em forma de romance, um caso com situa\u00e7\u00f5es peculiares e descreve como os volunt\u00e1rios que conduzem esses encontros auxiliam na supera\u00e7\u00e3o dos conflitos dos envolvidos, restabelecendo a comunica\u00e7\u00e3o entre eles.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cA media\u00e7\u00e3o oferece uma maneira diferente de resolver conflitos, indo ao encontro da ideia de oportunidade de as pessoas acharem, por si pr\u00f3prias, as respostas para suas demandas, sem depender de uma senten\u00e7a judicial que lhes seja imposta\u201d, resume Mirian em entrevista concedida \u00e0<strong>ConJur<\/strong>. E cita frase repetida \u00e0 exaust\u00e3o pelo ministro aposentado Cezar Peluso enquanto era presidente do STF e do Conselho Nacional de Justi\u00e7a: \u201cA senten\u00e7a p\u00f5e fim ao lit\u00edgio, mas s\u00f3 a media\u00e7\u00e3o e a concilia\u00e7\u00e3o pacificam os litigantes\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Psic\u00f3loga h\u00e1 30 anos e casada com um juiz, Mirian teve suas primeiras experi\u00eancias na solu\u00e7\u00e3o de brigas judiciais no fim dos anos 1980 e in\u00edcio dos anos 1990, quando foi nomeada por ju\u00edzes de Varas de Fam\u00edlia para fazer per\u00edcias psicol\u00f3gicas, principalmente em a\u00e7\u00f5es de regulamenta\u00e7\u00e3o de visitas e mudan\u00e7as de guarda, em casos de separa\u00e7\u00e3o de casais. Naquela \u00e9poca, apesar de a media\u00e7\u00e3o j\u00e1 ser uma pr\u00e1tica em pa\u00edses como os Estados Unidos, a Argentina e alguns pa\u00edses da Europa, ainda era incipiente no Brasil.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Hoje, a media\u00e7\u00e3o \u00e9 uma das prioridades da Secretaria de Reforma do Judici\u00e1rio, que articula no Congresso Nacional a discuss\u00e3o do tema em conjunto com projeto de lei que revisa a atual Lei de Arbitragem. Desde 1998, o Projeto de Lei 4.837, que regulamenta a mat\u00e9ria, de autoria da ex-deputada Zulai\u00ea Cobra (PSD-SP), aguarda aprova\u00e7\u00e3o no Congresso. A proposta passou na C\u00e2mara e no Senado, mas como sofreu altera\u00e7\u00f5es na segunda casa, teve de ser novamente votada na C\u00e2mara, o que ainda n\u00e3o aconteceu.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Leia a entrevista:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>ConJur \u2014 Um dos motivos que atrai a aten\u00e7\u00e3o do poder p\u00fablico para a media\u00e7\u00e3o \u00e9 a possibilidade de redu\u00e7\u00e3o do n\u00famero de processos judiciais e do prazo para solu\u00e7\u00e3o dos conflitos. A expectativa tem raz\u00e3o de ser?<\/strong><strong><br \/>\n<strong>Mirian Blanco \u2014<\/strong><\/strong>\u00a0A media\u00e7\u00e3o permite isso porque prop\u00f5e outra forma de resolu\u00e7\u00e3o dos conflitos sociais, diferente do formato judicial. A expectativa \u00e9 que a sociedade possa contar tamb\u00e9m com essa maneira colaborativa, em que h\u00e1 a participa\u00e7\u00e3o de um mediador. Hoje, a sociedade tem o Judici\u00e1rio como refer\u00eancia para resolver seus problemas. E na era digital em que vivemos, os conflitos t\u00eam crescido em maior velocidade. Algo inadequado que se diga pode reverberar e aparecer do outro lado do mundo em minutos, o que pode desencadear ou ampliar uma discuss\u00e3o. A difus\u00e3o das comunica\u00e7\u00f5es tem um lado bom e outro ruim. Esse \u00e9 o lado ruim.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>ConJur \u2014 Investindo-se em media\u00e7\u00e3o, pode-se diminuir em quanto a litigiosidade?<\/strong><strong><br \/>\n<strong>Mirian Blanco \u2014<\/strong><\/strong>\u00a0A media\u00e7\u00e3o n\u00e3o vem com essa promessa de diminui\u00e7\u00e3o imediata das causas, mas permite \u00e0 sociedade contar com essa forma de resolu\u00e7\u00e3o ao longo do tempo. A sociedade fica mais consciente, mais madura e protagonista n\u00e3o s\u00f3 da constru\u00e7\u00e3o dos seus pr\u00f3prios conflitos, mas tamb\u00e9m da sua resolu\u00e7\u00e3o. Porque, na media\u00e7\u00e3o, \u00e9 restabelecida a comunica\u00e7\u00e3o entre as partes. Elas t\u00eam condi\u00e7\u00f5es de identificar suas necessidades, seus interesses, que muitas vezes n\u00e3o s\u00e3o contemplados no processo judicial. As partes se sentem empoderadas. Durante o processo de media\u00e7\u00e3o, com a facilita\u00e7\u00e3o do mediador, as partes v\u00e3o se apropriando do pr\u00f3prio potencial para resolver seus conflitos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>ConJur \u2014 As pessoas ainda estranham o procedimento?<\/strong><strong><br \/>\n<strong>Mirian Blanco \u2014<\/strong><\/strong>\u00a0Como a media\u00e7\u00e3o \u00e9 nova, em um primeiro contato, temos o dever de explicar do que trata a media\u00e7\u00e3o, qual \u00e9 sua fun\u00e7\u00e3o, qual o papel do mediador, com quem elas podem contar e as regras a que estar\u00e3o se submetendo. Apesar de a media\u00e7\u00e3o ser considerada um processo informal, existem princ\u00edpios norteadores que o mediador tem obriga\u00e7\u00e3o de seguir. \u00c9 um processo conversacional. Os mediandos normalmente chegam muito inseguros.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>ConJur \u2014 Quais s\u00e3o esses princ\u00edpios?<\/strong><strong><br \/>\n<strong>Mirian Blanco<\/strong><\/strong>\u00a0\u2014 Um \u00e9 a voluntariedade tanto por parte dos mediandos quanto do mediador. O mediador, a qualquer momento, pode interromper o processo se perceber que as partes n\u00e3o est\u00e3o conseguindo evoluir. As pessoas tamb\u00e9m podem interromper a qualquer momento e voltar para o processo judicial. A confidencialidade \u00e9 outro princ\u00edpio important\u00edssimo tamb\u00e9m, bem como a imparcialidade do mediador. Outro princ\u00edpio \u00e9 o da autodetermina\u00e7\u00e3o, a possibilidade de as pr\u00f3prias pessoas determinarem qual ser\u00e1 a solu\u00e7\u00e3o do seu conflito.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>ConJur \u2014 Esse desconforto em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 media\u00e7\u00e3o se deve \u00e0 refer\u00eancia que as pessoas t\u00eam do processo judicial?<\/strong><strong><br \/>\n<strong>Mirian Blanco \u2014<\/strong><\/strong>\u00a0No processo judicial h\u00e1 uma fragmenta\u00e7\u00e3o, \u00e9 uma pessoa contra a outra, numa rela\u00e7\u00e3o advers\u00e1ria. As pessoas s\u00e3o nomeadas \u201cpartes\u201d. J\u00e1 na media\u00e7\u00e3o, s\u00e3o mediandos ou mediados.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>ConJur \u2014 O C\u00f3digo de Processo Civil j\u00e1 prev\u00ea essa tentativa de resolver o conflito sem processo. Por que poucos casos v\u00e3o \u00e0 media\u00e7\u00e3o?<\/strong><strong><br \/>\n<strong>Mirian Blanco \u2014<\/strong><\/strong>\u00a0O C\u00f3digo fala em concilia\u00e7\u00e3o, que \u00e9 um dos momentos de um processo judicial. Muitas pessoas confundem. Existem diferen\u00e7as muito importantes. A media\u00e7\u00e3o \u00e9 indicada para causas familiares, societ\u00e1rias e de vizinhan\u00e7a, porque s\u00e3o casos de rela\u00e7\u00e3o continuada, rela\u00e7\u00f5es que t\u00eam uma hist\u00f3ria e que podem continuar. O conflito faz com que a rela\u00e7\u00e3o fique alterada, a comunica\u00e7\u00e3o \u00e9 interrompida. Se essas pessoas puderem se beneficiar de uma media\u00e7\u00e3o e seguir seu caminho de modo melhor, \u00f3timo. J\u00e1 a concilia\u00e7\u00e3o \u00e9 mais indicada para conflitos pontuais, como um acidente de carro, uma batida de tr\u00e2nsito. Eu conheci a pessoa que bateu no meu carro naquele momento. N\u00f3s n\u00e3o temos uma hist\u00f3ria pregressa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>ConJur \u2014 Quem se submete \u00e0 media\u00e7\u00e3o abre m\u00e3o de resolver seu caso na Justi\u00e7a?<\/strong><strong><br \/>\n<strong>Mirian Blanco \u2014<\/strong><\/strong>\u00a0N\u00e3o. A media\u00e7\u00e3o \u00e9 uma oportunidade. Caso as pessoas n\u00e3o continuem na media\u00e7\u00e3o, at\u00e9 porque \u00e9 algo volunt\u00e1rio, podem ir \u00e0 Justi\u00e7a. Depois que os mediandos sabem do que se trata a media\u00e7\u00e3o, podem aderir ou n\u00e3o. N\u00e3o teria sentido se fosse obrigat\u00f3rio. Precisamos contar com a boa vontade dos envolvidos, a cren\u00e7a de que aquele m\u00e9todo tem o potencial para ajud\u00e1-los e que eles encontrar\u00e3o em si pr\u00f3prios os recursos para uma solu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>ConJur \u2014 O advogado participa desse processo?<\/strong><strong><br \/>\n<strong>Mirian Blanco \u2014<\/strong><\/strong>\u00a0Sim. O advogado \u00e9 uma figura muito importante na media\u00e7\u00e3o, mas tem uma fun\u00e7\u00e3o bem espec\u00edfica. No f\u00f3rum, n\u00f3s recebemos os mediandos e seus advogados no primeiro encontro, porque \u00e9 muito importante que o advogado que n\u00e3o conhe\u00e7e o processo de media\u00e7\u00e3o passe a conhecer, \u00e9 importante que ele saiba o que est\u00e1 sendo oferecido ao seu cliente. Ele \u00e9 a figura de credibilidade do seu cliente. Depois, o mediador vai se tornando tamb\u00e9m uma figura de credibilidade. Ent\u00e3o o advogado \u00e9 informado de que, a partir do pr\u00f3ximo encontro, est\u00e1 dispensado, porque o nosso enfoque, a voz que queremos ouvir, \u00e9 a do cliente dele. O advogado entra na media\u00e7\u00e3o quando surgem d\u00favidas t\u00e9cnicas. \u00c9 quando s\u00e3o convidados a comparecer. E eles t\u00eam trazido participa\u00e7\u00f5es important\u00edssimas, porque o mediador n\u00e3o pode dar orienta\u00e7\u00f5es t\u00e9cnicas do Direito. Ele \u00e9 um facilitador da comunica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>ConJur \u2014 Da\u00ed a import\u00e2ncia da Psicologia, no seu caso?<\/strong><strong><br \/>\n<strong>Mirian Blanco \u2014<\/strong><\/strong>\u00a0Eu posso falar de mim. Minha experi\u00eancia na Psicologia e com trabalhos voltados \u00e0s fam\u00edlias me ajuda muito na media\u00e7\u00e3o, porque o psic\u00f3logo tem uma escuta muito desenvolvida, treinada, al\u00e9m de ter o cuidado com as palavras.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>ConJur \u2014 Que abordagem psicol\u00f3gica adota em seu trabalho?<\/strong><strong><br \/>\n<strong>Mirian Blanco \u2014<\/strong><\/strong>\u00a0Existem v\u00e1rias abordagens. Eu me baseio na sist\u00eamica. Na minha trajet\u00f3ria, fui me especializando em terapia de fam\u00edlia, e a abordagem sist\u00eamica nos traz uma vis\u00e3o ampla. Uma a\u00e7\u00e3o de um familiar pode provocar diversas rea\u00e7\u00f5es em todos os componentes da fam\u00edlia e essas rea\u00e7\u00f5es alimentam, de algum modo, essa rea\u00e7\u00e3o primeira. Um olhar sist\u00eamico \u00e9 o mais confort\u00e1vel para trabalhar porque a pessoa n\u00e3o est\u00e1 sozinha no mundo, ela vive em fam\u00edlia, vive em sociedade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>ConJur \u2014 A media\u00e7\u00e3o restaura rela\u00e7\u00f5es?<\/strong><strong><br \/>\n<strong>Mirian Blanco<\/strong><\/strong>\u00a0\u2014 Esse \u00e9 o nosso dia a dia. As pessoas entram muitas vezes sem sequer conseguir se olhar. Quando chegam, orientamos que o processo vai ter regras que elas ter\u00e3o de seguir. A primeira \u00e9 o respeito, a cordialidade. N\u00e3o s\u00e3o permitidas acusa\u00e7\u00f5es ou agress\u00f5es. Ali \u00e9 um espa\u00e7o de conversa. A prioridade \u00e9 resgatar a comunica\u00e7\u00e3o. N\u00e3o estamos acostumados, na nossa sociedade, a conversar. Ouvir, depois falar. As pessoas se atropelam. Um casal que est\u00e1 brigando na Justi\u00e7a, na media\u00e7\u00e3o \u00e9 treinado a conversar. O mediador \u00e9 o maestro dessa orquestra. Ele n\u00e3o est\u00e1 nem acima, nem abaixo dos mediandos. Est\u00e1 junto, mas com o dever de coordenar aquele processo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>ConJur \u2014 O advogado com forma\u00e7\u00e3o processualista atrapalha ou ajuda nesse momento?<\/strong><strong><br \/>\n<strong>Mirian Blanco \u2014<\/strong><\/strong>\u00a0O mediador tem que levar em considera\u00e7\u00e3o que h\u00e1 muito desconhecimento e que a forma\u00e7\u00e3o do advogado \u00e9 para brigar pelo seu cliente. \u00c0 medida que demonstramos como \u00e9 o sistema, eles t\u00eam atitudes muito participativas e percebem que v\u00e3o poder executar seu papel, s\u00f3 que no momento em que for necess\u00e1rio, quando todos concordarem.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>ConJur \u2014 O que o advogado ganha levando o processo para a media\u00e7\u00e3o?<\/strong><strong><br \/>\n<strong>Mirian Blanco \u2014<\/strong><\/strong>\u00a0Ele ganha a longo prazo. Hoje muitas faculdades j\u00e1 t\u00eam em seu curr\u00edculo a mat\u00e9ria de meios alternativos de resolu\u00e7\u00e3o de conflitos. Delas j\u00e1 saem advogados com uma forma\u00e7\u00e3o um pouco mais ampla. O advogado pode ser litigante para aquele cliente que assim o deseja, mas tamb\u00e9m pode ser um mediador. Ou seja, ele \u00e9 procurado por um cliente e convida a outra parte para ver se os dois querem percorrer o caminho da media\u00e7\u00e3o. Ele estar\u00e1 sendo remunerado como mediador. As partes podem entrar em um acordo, que pode ser cumprido sem a homologa\u00e7\u00e3o de um juiz. \u00c9 poss\u00edvel tamb\u00e9m que o acordo seja levado para ser homologado. As partes entram em acordo e os advogados elaboram um termo, que \u00e9 levado para o juiz homologar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>ConJur \u2014 Existem c\u00e2maras especializadas em media\u00e7\u00e3o?<\/strong><strong><br \/>\n<strong>Mirian Blanco \u2014<\/strong><\/strong>\u00a0Existem. H\u00e1, inclusive, c\u00e2maras de arbitragem que incluem a media\u00e7\u00e3o antes da arbitragem.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>ConJur \u2014 Qual tem sido o apoio do Judici\u00e1rio \u00e0 ideia?<\/strong><strong><br \/>\n<strong>Mirian Blanco \u2014<\/strong><\/strong>\u00a0O CNJ [<em>Conselho Nacional de Justi\u00e7a<\/em>] editou a Resolu\u00e7\u00e3o 125, que diz que todos os tribunais t\u00eam que desenvolver um n\u00facleo para estruturar os Centros Judici\u00e1rios de Cidadania. Essa resolu\u00e7\u00e3o faz constar a necessidade de computar resultados. O cidad\u00e3o se dirige ao centro judici\u00e1rio gratuitamente e pode passar pela media\u00e7\u00e3o ou pela concilia\u00e7\u00e3o. Mas n\u00e3o \u00e9 em todos os f\u00f3runs que existem setores de media\u00e7\u00e3o e concilia\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>ConJur \u2014 Em qual trabalha?<\/strong><strong><br \/>\n<strong>Mirian Blanco<\/strong><\/strong>\u00a0\u2014 No F\u00f3rum de Santana, em S\u00e3o Paulo, uma vez por semana. Trabalho l\u00e1 desde 2007. O setor de media\u00e7\u00e3o foi instalado no F\u00f3rum de Santana em 2004. Passamos agora por uma transi\u00e7\u00e3o importante, porque muitos dos f\u00f3runs que t\u00eam setores de media\u00e7\u00e3o em suas instala\u00e7\u00f5es passar\u00e3o a contar com algum centro judici\u00e1rio \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o. J\u00e1 temos um na Barra Funda, inaugurado em 2011. N\u00e3o se sabe se isso ser\u00e1 centralizado ou se a estrutura atual ser\u00e1 mantida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>ConJur \u2014 Quanto tempo dura uma media\u00e7\u00e3o?<\/strong><strong><br \/>\n<strong>Mirian Blanco<\/strong><\/strong>\u00a0\u2014 No formato que usamos no F\u00f3rum de Santana, pode levar entre quatro e seis encontros, feitos a cada 15 ou 20 dias. \u00c0s vezes s\u00e3o necess\u00e1rios mais encontros, dependendo do caso. \u00c9 bom que as pessoas tenham um espa\u00e7o entre cada encontro para que a conquista obtida em um dia tenha tempo de ser posta em pr\u00e1tica. O processo ainda tem a possibilidade de ficar suspenso por tr\u00eas meses, prorrog\u00e1veis por mais tr\u00eas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>ConJur \u2014 E quem controla isso?<\/strong><strong><br \/>\n<strong>Mirian Blanco<\/strong><\/strong>\u00a0\u2014 O juiz sabe. \u00c9 ele quem encaminha o processo para o setor de media\u00e7\u00e3o. As partes aderem e assinam um termo. Esse termo \u00e9 enviado para o processo. N\u00f3s n\u00e3o temos contato com o processo, nem com o juiz. A \u00fanica coisa que recebemos \u00e9 um papel que diz onde corre o processo, qual seu n\u00famero, sua vara, o tipo de a\u00e7\u00e3o, os nomes das partes e os nomes dos advogados.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>ConJur \u2014 Qual \u00e9 a taxa de efetividade dos acordos?<\/strong><strong><br \/>\n<strong>Mirian Blanco \u2014<\/strong><\/strong>\u00a0\u00c9 relativo. J\u00e1 ouvi muitos ju\u00edzes dizerem que mesmo quando as pessoas n\u00e3o chegam a um termo e voltam ao processo judicial, j\u00e1 est\u00e3o muito sensibilizadas para um acordo. Mas pela minha experi\u00eancia, h\u00e1 acerto em 70% ou 75% dos casos. O objetivo principal da media\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 o acordo, mas sim a mudan\u00e7a na rela\u00e7\u00e3o, o restabelecimento da comunica\u00e7\u00e3o dos envolvidos num conflito. Isso significa que o acordo ou falta de acordo n\u00e3o \u00e9 em si representativo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>ConJur \u2014 Como \u00e9 a media\u00e7\u00e3o fora do Brasil?<\/strong><strong><br \/>\n<strong>Mirian Blanco<\/strong><\/strong>\u00a0\u2014 Os Estados Unidos est\u00e3o muito \u00e0 nossa frente, copiamos muitas coisas deles. Em alguns pa\u00edses, como o Canad\u00e1, as pessoas, quando v\u00e3o buscar o Judici\u00e1rio, primeiro t\u00eam de passar por uma media\u00e7\u00e3o ou concilia\u00e7\u00e3o, obrigatoriamente. Isso ocorre em algumas cortes. Mesmo aqui no Brasil, quando o juiz encaminha para o setor de media\u00e7\u00e3o, \u00e9 obrigat\u00f3rio. O que n\u00e3o \u00e9 obrigat\u00f3rio \u00e9 as pessoas participarem, aderirem. Na Argentina, por exemplo, a media\u00e7\u00e3o est\u00e1 mais avan\u00e7ada que no Brasil. Eles t\u00eam levado a media\u00e7\u00e3o para as escolas, capacitando os alunos para que se voluntariem para ser mediadores. Diante de um conflito, exercem essa fun\u00e7\u00e3o. Um estudo mostra que a viol\u00eancia em uma determinada escola de Buenos Ayres caiu 80% depois que essa solu\u00e7\u00e3o foi implantada, como comentado pela mediadora Helena Mandelbaum em entrevista recente. \u00c9 um caminho promissor. Tem uma frase no meu livro que fiz quest\u00e3o de colocar: eu acredito no potencial do ser humano para se envolver nos conflitos, mas existe tamb\u00e9m dentro de cada ser humano um grande potencial para resolv\u00ea-los. \u00c9 preciso responsabilidade, \u00e9 necess\u00e1rio se sentir part\u00edcipe dessa constru\u00e7\u00e3o. Enquanto se est\u00e1 apontando o dedo para culpar o outro, n\u00e3o se assume a sua parcela de responsabilidade. Quando quem faz o acordo \u00e9 quem vai cumpri-lo, a probabilidade de sucesso \u00e9 muito maior.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>ConJur \u2014 Essa necessidade de um juiz para decidir uma causa tem rela\u00e7\u00e3o com a demanda cont\u00ednua das pessoas por leis e regras que resolvam problemas que dependem apenas de bom senso. Como emancipar a sociedade e faz\u00ea-la andar com as pr\u00f3prias pernas?<\/strong><strong><br \/>\n<strong>Mirian Blanco<\/strong><\/strong>\u00a0\u2014 Esse \u00e9 um processo lento. A sociedade, e cada pessoa inserida nela, precisa se conscientizar da responsabilidade que tem. Esses norteadores que v\u00eam de cima para baixo chegam por serem necess\u00e1rios em um determinado contexto ou em um determinado momento hist\u00f3rico. O que desenvolvemos na media\u00e7\u00e3o pode-se levar para outros contextos na sociedade. As pessoas devem perceber que s\u00e3o protagonistas nos conflitos. Quando isso acontece, tem-se outro olhar. Na media\u00e7\u00e3o, \u00e9 a voz das partes que tem for\u00e7a.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>ConJur \u2014 H\u00e1 disputas que n\u00e3o podem ser resolvidas pela media\u00e7\u00e3o?<\/strong><strong><br \/>\n<strong>Mirian Blanco<\/strong><\/strong>\u00a0\u2014 Existem aquelas que somente uma senten\u00e7a pode p\u00f4r fim. Mas a senten\u00e7a p\u00f5e fim ao lit\u00edgio e n\u00e3o necessariamente ao conflito. Na media\u00e7\u00e3o, precisamos de pessoas com boa-f\u00e9 e que acreditem que possam se inserir naquele contexto. Mas se elas n\u00e3o querem, s\u00f3 uma senten\u00e7a pode encerrar a discuss\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>ConJur \u2014 Qual o interesse das pessoas em ser mediadoras?<\/strong><strong><br \/>\n<strong>Mirian Blanco \u2014<\/strong><\/strong>\u00a0Eu participo de cursos de capacita\u00e7\u00e3o de mediadores pela Escola Paulista da Magistratura. Dou algumas palestras em S\u00e3o Paulo, na capital e no interior, e tenho visto cada vez mais interessados. Dei uma palestra no ano passado para 160 alunos presenciais e 2 mil\u00a0<em>online<\/em>. S\u00e3o pessoas de v\u00e1rias forma\u00e7\u00f5es: Direito, Psicologia, Assist\u00eancia Social&#8230; A forma\u00e7\u00e3o original n\u00e3o limita. Qualquer pessoa pode ser mediadora.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>ConJur \u2014 Os ju\u00edzes t\u00eam participado tamb\u00e9m?<\/strong><strong><br \/>\n<strong>Mirian Blanco<\/strong><\/strong>\u00a0\u2014 Sim e isso \u00e9 important\u00edssimo, porque uma das expectativas \u00e9 que o juiz, al\u00e9m do papel de magistrado, possa ser um gerenciador do processo, no sentido de pegar um caso e ter o discernimento de enviar para a media\u00e7\u00e3o se avaliar que isso possa beneficiar as partes. Esses cursos trazem muitos esclarecimentos para os magistrados.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>ConJur \u2014 Como voc\u00ea compara a media\u00e7\u00e3o de ontem e de hoje?<\/strong><strong>\u00a0<\/strong><strong>Mirian Blanco<\/strong>\u00a0\u2014 A media\u00e7\u00e3o vem se inserindo no Brasil h\u00e1 20 anos. Alguns profissionais brasileiros entraram em contato com trabalhos desenvolvidos nos Estados Unidos e come\u00e7aram a se interessar. Capacitaram-se fora do pa\u00eds e trouxeram esses cursos para c\u00e1. Eu me capacitei mediadora em 2004, no Instituto Familiae.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>ConJur \u2014 Algum caso em especial lhe marcou?<\/strong><strong><br \/>\n<strong>Mirian Blanco<\/strong><\/strong>\u00a0\u2014 N\u00e3o poderia citar um caso real porque um dos princ\u00edpios da media\u00e7\u00e3o \u00e9 o sigilo. Mas lembro de uma experi\u00eancia que tive com um casal que, h\u00e1 uns quatro anos, entrou com uma a\u00e7\u00e3o de regulamenta\u00e7\u00e3o de visitas e foi encaminhado para a media\u00e7\u00e3o. Tinham um filho de dez anos e aderiram \u00e0 media\u00e7\u00e3o. Estavam caminhando conosco muito bem, o pai j\u00e1 estava conseguindo pegar o filho aos fins de semana, a m\u00e3e estava aceitando mais bem. Antes, ela impedia essas visitas com todas as suas for\u00e7as. O pai teve de entrar com a a\u00e7\u00e3o. At\u00e9 que em um determinado encontro de media\u00e7\u00e3o, chegaram os dois com uma fisionomia que denunciava que alguma coisa havia acontecido. Sempre perguntamos antes de tudo como \u00e9 que est\u00e3o caminhando as coisas. Ela disse que estava muito contrariada porque no \u00faltimo contato que o filho teve com o pai, ele chegou com um celular de presente. A m\u00e3e, na mesma hora, diante da alegria da crian\u00e7a, pegou o celular, jogou no vaso sanit\u00e1rio e deu descarga. Perguntei por que ela teve essa atitude, como ela viu esse presente. Lidamos muito com significados em media\u00e7\u00e3o, por isso a pergunta. Ela disse que, na hora, perguntou ao filho: \u201cQuem \u00e9 que mede a sua febre nas noites em que voc\u00ea est\u00e1 doente? Quem \u00e9 que foi na semana passada na reuni\u00e3o de pais e mestres, quando a sua escola convocou? E quem que te ajudou ontem a fazer uma reda\u00e7\u00e3o, quando voc\u00ea estava com dificuldade?\u201d Nessa hora, o mediador sente tamb\u00e9m. Foi uma agress\u00e3o moral \u00e0 crian\u00e7a. S\u00f3 que n\u00f3s somos t\u00e9cnicos, temos que gerenciar nossas emo\u00e7\u00f5es para n\u00e3o entrar nesse contexto destrutivo. Ent\u00e3o, eu perguntei a ela: \u201cQuando voc\u00ea fez essas perguntas para o seu filho, o que voc\u00ea esperava que ele respondesse?\u201d Ela come\u00e7ou a chorar, dizendo que tinha muito medo de perder o amor do filho porque o pai tinha uma condi\u00e7\u00e3o financeira melhor do que a dela, e essa situa\u00e7\u00e3o de permitir as visitas aumentou esse medo. O celular foi um s\u00edmbolo dessa amea\u00e7a.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>ConJur \u2014 Por que esse caso marcou?<\/strong><strong><br \/>\n<strong>Mirian Blanco<\/strong><\/strong>\u00a0\u2014 Porque a gente v\u00ea muitos mediadores com d\u00favidas em rela\u00e7\u00e3o a essas situa\u00e7\u00f5es, em que o mediador se sente afetado. Eu j\u00e1 escrevi um cap\u00edtulo de um livro dizendo que concordo com a imparcialidade, mas neutralidade no sentido de afeta\u00e7\u00f5es, \u00e9 imposs\u00edvel. Esse caso me marca porque mostra como as perguntas s\u00e3o preciosas. N\u00f3s somos t\u00e9cnicos em comunica\u00e7\u00e3o e temos nossas ferramentas para trabalhar. Se pudermos fazer uma pergunta que os mediandos ainda n\u00e3o se fizeram, podem surgir respostas muito diferentes das que eles t\u00eam buscado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>ConJur \u2014 E como terminou nesse caso espec\u00edfico?<\/strong><strong><br \/>\n<strong>Mirian Blanco<\/strong><\/strong>\u00a0\u2014 Quando a m\u00e3e disse que tinha medo de que o filho escolhesse o pai, o pai falou: \u201cMas n\u00e3o \u00e9 essa a minha inten\u00e7\u00e3o. Eu considero voc\u00ea uma m\u00e3e muito adequada. A \u00fanica coisa que quero \u00e9 poder conviver com o meu filho e ampliar cada vez mais o meu conv\u00edvio com ele, porque ele precisa de uma m\u00e3e e de um pai.\u201d Esse assunto \u00e9 tratado no livro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>ConJur \u2014 A maioria dos casos de media\u00e7\u00e3o \u00e9 da \u00e1rea de fam\u00edlia?<\/strong><strong><br \/>\n<strong>Mirian Blanco<\/strong><\/strong>\u00a0\u2014 N\u00e3o. No pr\u00f3prio F\u00f3rum de Santana existe a media\u00e7\u00e3o empresarial, feita por mediadores especializados nessa \u00e1rea. A media\u00e7\u00e3o \u00e9 muito eficaz nas \u00e1reas de fam\u00edlia, empresarial, vizinhan\u00e7a, condom\u00ednio etc.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>ConJur \u2014 O que seu livro traz de contribui\u00e7\u00e3o para esclarecer a media\u00e7\u00e3o?<\/strong><strong><br \/>\n<strong>Mirian Blanco<\/strong><\/strong>\u00a0\u2014 Ele narra um caso fict\u00edcio, mas \u00e9 pautado em toda a minha experi\u00eancia como mediadora. Descrevo uma media\u00e7\u00e3o com come\u00e7o, meio e fim. Descrevo a fun\u00e7\u00e3o da media\u00e7\u00e3o, do mediador, a participa\u00e7\u00e3o dos advogados e discrimino a import\u00e2ncia da co-media\u00e7\u00e3o, que s\u00e3o dois mediadores trabalhando juntos. Existem v\u00e1rias composi\u00e7\u00f5es interessantes de mediadores. H\u00e1, por exemplo, a composi\u00e7\u00e3o visando a diferen\u00e7a de g\u00eanero, um homem e uma mulher. Isso \u00e9 importante dependendo do conflito a ser resolvido. \u00c0s vezes uma pessoa se sente mais \u00e0 vontade se dirigindo a um homem ou a uma mulher. Outra composi\u00e7\u00e3o \u00e9 de dois mediadores, um mais experiente e outro menos experiente. Dessa forma se compartilha experi\u00eancias com quem est\u00e1 iniciando. E h\u00e1 mediadores com forma\u00e7\u00f5es diferentes e, portanto, olhares diferentes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>ConJur \u2014 O interessado em media\u00e7\u00e3o pode pedir mediadores com o perfil que mais lhe agrade?<\/strong><strong><br \/>\n<strong>Mirian Blanco<\/strong><\/strong>\u00a0\u2014 Posso falar do f\u00f3rum onde trabalho. L\u00e1, os mediadores trabalham em dias espec\u00edficos. Se a pessoa quiser saber quem est\u00e1 naquele dia, ela pode. Os mediadores s\u00e3o cadastrados, cada um tem sua pasta, que \u00e9 aberta \u00e0 popula\u00e7\u00e3o. Qualquer um pode procurar a pasta daquele mediador para ver sua forma\u00e7\u00e3o. Mas a forma\u00e7\u00e3o dos co-mediadores varia muito. Hoje eu posso estar com um, amanh\u00e3 com outro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>ConJur \u2014 Se meu caso caiu com um mediador, ser\u00e1 ele quem dever\u00e1 conduzi-lo at\u00e9 o fim?<\/strong><strong><br \/>\n<strong>Mirian Blanco<\/strong><\/strong>\u00a0\u2014 At\u00e9 o fim, e isso \u00e9 important\u00edssimo, por conta do v\u00ednculo que vai se estabelecendo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>ConJur \u2014 \u00c9 o seu primeiro livro?<\/strong><strong><br \/>\n<strong>Mirian Blanco \u2014<\/strong><\/strong>\u00a0Que tenha escrito sozinha, sim. Antes, participei da obra coletiva\u00a0<em>Media\u00e7\u00e3o no Judici\u00e1rio \u2013 Teoria e Pr\u00e1tica<\/em>, editado pela Primavera Editorial, coordenado por Claudia Grosman e Helena Mandelbaum e escrito por nove autores. A obra \u00e9 prefaciada pelo ministro Cezar Peluso, hoje aposentado do Supremo Tribunal Federal, com apresenta\u00e7\u00e3o da ministra Nancy Andrighi, do Superior Tribunal de Justi\u00e7a. Na minha contribui\u00e7\u00e3o, falo sobre a emo\u00e7\u00e3o do mediador no processo de constru\u00e7\u00e3o da media\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>ConJur \u2014 Quanto tempo levou para escrever<\/strong><strong>\u00a0<\/strong><em><strong>Uma outra verdade na media\u00e7\u00e3o<\/strong><\/em><strong>?<\/strong><strong><br \/>\n<strong>Mirian Blanco<\/strong><\/strong>\u00a0\u2014 Oito meses. Eu ofereci esse livro para duas mestres da media\u00e7\u00e3o. Uma \u00e9 V\u00e2nia Yazbek, que fez o pref\u00e1cio e \u00e9 uma grande refer\u00eancia da media\u00e7\u00e3o em S\u00e3o Paulo. Outra \u00e9 Ver\u00f4nica Cezar Ferreira, advogada, psic\u00f3loga e mediadora. Elas s\u00e3o refer\u00eancias muito importantes na media\u00e7\u00e3o, e me incentivaram a publicar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"mailto:%61%6c%65%73%73%61%6e%64%72%6f%40%63%6f%6e%73%75%6c%74%6f%72%6a%75%72%69%64%69%63%6f%2e%63%6f%6d%2e%62%72\">Alessandro Cristo<\/a>\u00a0\u00e9 editor da revista\u00a0<strong>Consultor Jur\u00eddico<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Revista\u00a0<strong>Consultor Jur\u00eddico<\/strong>, 18 de agosto de 2013.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>VOZ DAS PARTES &#8216;Diferente da senten\u00e7a, media\u00e7\u00e3o restaura comunica\u00e7\u00e3o&#8217; Por Alessandro Cristo\u00a0 &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; Sem o formalismo da Justi\u00e7a ou o glamour da arbitragem, a media\u00e7\u00e3o tem avan\u00e7ado como forma alternativa para solu\u00e7\u00e3o de conflitos, ao pacificar e at\u00e9 restaurar rela\u00e7\u00f5es contenciosas ou dadas como perdidas. Apropriada para casos em [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[36],"tags":[],"class_list":["post-7899","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-entrevistas"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.26notas.com.br\/blog\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/7899","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.26notas.com.br\/blog\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.26notas.com.br\/blog\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.26notas.com.br\/blog\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.26notas.com.br\/blog\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=7899"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.26notas.com.br\/blog\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/7899\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.26notas.com.br\/blog\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=7899"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.26notas.com.br\/blog\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=7899"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.26notas.com.br\/blog\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=7899"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}