{"id":7617,"date":"2013-07-06T12:54:19","date_gmt":"2013-07-06T14:54:19","guid":{"rendered":"https:\/\/www.26notas.com.br\/blog\/\/?p=7617"},"modified":"2013-07-06T12:54:19","modified_gmt":"2013-07-06T14:54:19","slug":"stj-quarta-turma-veta-presuncao-de-esforco-comum-na-divisao-de-bens-adquiridos-antes-da-lei-da-uniao-estavel","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.26notas.com.br\/blog\/?p=7617","title":{"rendered":"STJ: Quarta Turma veta presun\u00e7\u00e3o de esfor\u00e7o comum na divis\u00e3o de bens adquiridos antes da Lei da Uni\u00e3o Est\u00e1vel."},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Por maioria de votos, a Quarta Turma do Superior Tribunal de Justi\u00e7a (STJ) entendeu n\u00e3o ser poss\u00edvel a aplica\u00e7\u00e3o das regras de presun\u00e7\u00e3o do esfor\u00e7o comum a bens adquiridos em data anterior \u00e0 vig\u00eancia da Lei da Uni\u00e3o Est\u00e1vel (<a href=\"http:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/leis\/l9278.htm\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Lei 9.278\/96<\/a>).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A discuss\u00e3o chegou ao STJ em recurso especial interposto pelas filhas de um cidad\u00e3o do Paran\u00e1, j\u00e1 falecido, cuja companheira entrou com a\u00e7\u00e3o de reconhecimento de uni\u00e3o est\u00e1vel entre 1985 e 1998, ano da morte do pai das recorrentes. Ela pediu a partilha do patrim\u00f4nio reunido de forma onerosa durante todo o per\u00edodo de conviv\u00eancia comum, inclusive dos bens adquiridos antes da vig\u00eancia da Lei 9.278.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Presun\u00e7\u00e3o legal<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na a\u00e7\u00e3o, a mulher descreve o patrim\u00f4nio acumulado durante toda a conviv\u00eancia e cita, entre os v\u00e1rios bens, tr\u00eas im\u00f3veis doados pelo falecido \u00e0s filhas, por ato unilateral, entre os anos de 1986 e 1987, os quais ela tamb\u00e9m pretendia incluir na mea\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">At\u00e9 a entrada em vigor da Lei 9.278, n\u00e3o havia presun\u00e7\u00e3o legal de esfor\u00e7o comum para a partilha de bens. Ao final do relacionamento, os bens adquiridos no per\u00edodo eram divididos mediante a comprova\u00e7\u00e3o da colabora\u00e7\u00e3o de cada um.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com a Lei da Uni\u00e3o Est\u00e1vel, os bens adquiridos passaram a pertencer a ambos em mea\u00e7\u00e3o, salvo se houver estipula\u00e7\u00e3o em sentido contr\u00e1rio ou se a aquisi\u00e7\u00e3o patrimonial decorrer do produto de bens anteriores ao in\u00edcio da uni\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Mea\u00e7\u00e3o concedida<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O ju\u00edzo de primeira inst\u00e2ncia indeferiu a produ\u00e7\u00e3o de provas pedida pelas filhas, decis\u00e3o mantida pelo Tribunal de Justi\u00e7a do Paran\u00e1 (TJPR), que reconheceu a mea\u00e7\u00e3o. As filhas recorreram ao STJ.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O ministro Luis Felipe Salom\u00e3o, relator, ao apreciar a mat\u00e9ria, tamb\u00e9m entendeu ser devida a mea\u00e7\u00e3o. Para ele, a falta de legisla\u00e7\u00e3o, \u00e0 \u00e9poca da conviv\u00eancia, que disciplinasse a divis\u00e3o patrimonial em casos de uni\u00e3o est\u00e1vel, justifica a retroa\u00e7\u00e3o da Lei 9.278, para atingir a propriedade de bens adquiridos em data anterior \u00e0 sua edi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A ministra Isabel Gallotti, entretanto, pediu vista dos autos e em seu voto divergiu do entendimento do relator. Para a ministra, n\u00e3o existia, no per\u00edodo, lacuna legislativa em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 forma de aquisi\u00e7\u00e3o do patrim\u00f4nio durante a uni\u00e3o est\u00e1vel, mas uma regra diferente, que exigia a comprova\u00e7\u00e3o do esfor\u00e7o dos conviventes na constru\u00e7\u00e3o do patrim\u00f4nio comum.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ac\u00f3rd\u00e3o reformado<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para a ministra, a retroa\u00e7\u00e3o da lei a todo o per\u00edodo de uni\u00e3o \u201cimplicaria expropria\u00e7\u00e3o do patrim\u00f4nio adquirido segundo a disciplina da lei anterior, em manifesta ofensa ao direito adquirido e ao ato jur\u00eddico perfeito, al\u00e9m de causar inseguran\u00e7a jur\u00eddica, podendo atingir at\u00e9 mesmo terceiros\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Gallotti explicou ainda que n\u00e3o aplicar a Lei da Uni\u00e3o Est\u00e1vel n\u00e3o significa vedar a partilha, \u201cmas apenas estabelecer os par\u00e2metros para que as inst\u00e2ncias de origem, ap\u00f3s a fase de instru\u00e7\u00e3o, examinem a presen\u00e7a do esfor\u00e7o comum e estabele\u00e7am, como entenderem de direito e com a observ\u00e2ncia dos crit\u00e9rios da razoabilidade e proporcionalidade, a forma de divis\u00e3o do patrim\u00f4nio adquirido antes da vig\u00eancia da referida lei\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os demais ministros da Turma acompanharam a diverg\u00eancia. A partilha dos bens adquiridos antes da entrada em vigor da Lei 9.278 dever\u00e1 obedecer aos crit\u00e9rios norteados pela comprova\u00e7\u00e3o do esfor\u00e7o comum.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O n\u00famero deste processo n\u00e3o \u00e9 divulgado em raz\u00e3o de sigilo judicial<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fonte:\u00a0<a href=\"http:\/\/www.stj.jus.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">http:\/\/www.stj.jus.br<\/a>\u00a0|\u00a0Publicado em 02\/07\/2013.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por maioria de votos, a Quarta Turma do Superior Tribunal de Justi\u00e7a (STJ) entendeu n\u00e3o ser poss\u00edvel a aplica\u00e7\u00e3o das regras de presun\u00e7\u00e3o do esfor\u00e7o comum a bens adquiridos em data anterior \u00e0 vig\u00eancia da Lei da Uni\u00e3o Est\u00e1vel (Lei 9.278\/96). 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