{"id":7437,"date":"2013-05-24T18:26:16","date_gmt":"2013-05-24T20:26:16","guid":{"rendered":"https:\/\/www.26notas.com.br\/blog\/\/?p=7437"},"modified":"2013-05-24T18:26:16","modified_gmt":"2013-05-24T20:26:16","slug":"csmsp-registro-de-imoveis-erro-abertura-de-matricula-inobservancia-do-modulo-rural-a-epoca-imposicao-da-limitacao-ao-adquirente-abusividade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.26notas.com.br\/blog\/?p=7437","title":{"rendered":"CSM|SP: Registro de Im\u00f3veis \u2013 Erro \u2013 Abertura de matr\u00edcula \u2013 Inobserv\u00e2ncia do m\u00f3dulo rural \u00e0 \u00e9poca \u2013 Imposi\u00e7\u00e3o da limita\u00e7\u00e3o ao adquirente \u2013 Abusividade \u2013 Recurso provido."},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>AC\u00d3RD\u00c3O<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Vistos, relatados e discutidos estes autos de <strong>APELA\u00c7\u00c3O C\u00cdVEL N\u00b0 0003873-70.2011.8.26.0471, <\/strong>da Comarca de <strong>PORTO<\/strong> <strong>FELIZ <\/strong>em que s\u00e3o apelantes <strong>JOS\u00c9 DONIZETTI DE ARA\u00daJO e ROSELI DE<\/strong> <strong>F\u00c1TIMA BERNADELLI DE ARA\u00daJO <\/strong>e apelado o <strong>OFICIAL DE REGISTRO DE<\/strong> <strong>IM\u00d3VEIS, T\u00cdTULOS E DOCUMENTOS E CIVIL DE PESSOA JUR\u00cdDICA <\/strong>da referida Comarca.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">ACORDAM os Desembargadores do Conselho Superior da Magistratura, por vota\u00e7\u00e3o un\u00e2nime, em dar provimento ao recurso interposto, para o fim de determinar o registro da escritura p\u00fablica apresentada pelos apelantes, de conformidade com o voto do Desembargador Relator, que fica fazendo parte integrante do presente julgado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Participaram do julgamento os Desembargadores <strong>IVAN RICARDO GARISIO SARTORI, <\/strong>Presidente do Tribunal de Justi\u00e7a, <strong>JOS\u00c9 GASPAR GONZAGA FRANCESCHINI, <\/strong>Vice-Presidente do Tribunal de Justi\u00e7a,<strong> CARLOS AUGUSTO DE SANTI RIBEIRO, <\/strong>Decano em exerc\u00edcio, <strong>SAMUEL ALVES DE MELO JUNIOR, ANTONIO JOS\u00c9 SILVEIRA PAULILO <\/strong>e <strong>ANTONIO CARLOS TRIST\u00c3O RIBEIRO, <\/strong>respectivamente, Presidentes das Se\u00e7\u00f5es de<strong> <\/strong>Direito P\u00fablico, Privado e Criminal do Tribunal de Justi\u00e7a.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>S\u00e3o Paulo, 17 de janeiro de 2013.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>JOS\u00c9 RENATO NALINI<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Corregedor Geral da Justi\u00e7a e Relator<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Apela\u00e7\u00e3o C\u00edvel n\u00b0 0003873-70.2011.8.26.0471<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Apelante: Jos\u00e9 Donizetti de Ara\u00fajo e outro<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Apelado: Oficial de Registro de Im\u00f3veis, T\u00edtulos e Documentos e Civil de Pessoa Jur\u00eddica da Comarca de Porto Feliz<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>VOTO <\/strong>N\u00b0 <strong>21.165<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>REGISTRO DE IM\u00d3VEIS \u2013 Erro \u2013 Abertura de matr\u00edcula \u2013 Inobserv\u00e2ncia do m\u00f3dulo rural \u00e0 \u00e9poca \u2013 Imposi\u00e7\u00e3o da limita\u00e7\u00e3o ao adquirente \u2013 Abusividade \u2013 Recurso provido.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Trata-se de apela\u00e7\u00e3o interposta contra r. senten\u00e7a que julgou procedente a d\u00favida e por consequ\u00eancia obstou o registro da escritura de compra e venda por inobserv\u00e2ncia de fra\u00e7\u00e3o m\u00ednima de parcelamento do m\u00f3dulo de propriedade rural.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sustenta o apelante, em apertada s\u00edntese, que o im\u00f3vel adquirido em 13 de novembro de 2006 estava legalmente certificado perante o INCRA sob n\u00b0 632 074 013 579-8 e na Receita Federal sob n\u00b0 2.392.470-5. Alega que a recusa do registro mostra-se injusta, pois aberta a matr\u00edcula do im\u00f3vel em 14 de outubro de 1985 &#8211; sem o cumprimento do disposto no art. 65, da Lei 4.504\/64 &#8211; impor ao apelante a exig\u00eancia legal \u00e9<strong> <\/strong>o mesmo que obstar toda e qualquer regulariza\u00e7\u00e3o em afronta evidente ao texto constitucional.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Douta Procuradoria Geral de Justi\u00e7a opinou pelo provimento do recurso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 o relat\u00f3rio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O recurso comporta provimento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Atento a toda din\u00e2mica dos autos, observo que o \u00fanico motivo obstativo do registro da escritura de compra e venda lavrada em 13 de novembro de 2006 no 1\u00ba Tabeli\u00e3o de Notas da Comarca de Porto Feliz &#8211; <em>tendo como vendedores Verg\u00ednia Braguim Cadete da Silva e Ademir Cadete<\/em> <em>da Silva e compradores Jos\u00e9 Donizetti de Ara\u00fajo e Roseli de F\u00e1tima<\/em> <em>Bernardelli de Ara\u00fajo &#8211; <\/em>decorre do descumprimento do art. 8\u00ba da Lei 5868\/72, ou seja, o impedimento do registro de transmiss\u00e3o de propriedade im\u00f3vel rural com \u00e1rea inferior a 2,0 ha (m\u00f3dulo m\u00ednimo da propriedade rural).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Lei 4.505\/64, em seu art. 65 diz: <em>&#8220;O im\u00f3vel rural n\u00e3o \u00e9 divis\u00edvel em \u00e1rea de dimens\u00e3o inferior \u00e0 constitui\u00e7\u00e3o do m\u00f3dulo da propriedade rural&#8221;.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O art. 8\u00ba da Lei 5.868\/72 estabelece: <em>&#8220;Para fins de transmiss\u00e3o, a qualquer t\u00edtulo, na forma do art. 65 da Lei n\u00b0 4.504, de 30 de novembro de 1964, nenhum im\u00f3vel rural poder\u00e1 ser desmembrado ou dividido em \u00e1rea de tamanho inferior \u00e0 do m\u00f3dulo calculado para o im\u00f3vel ou da fra\u00e7\u00e3o m\u00ednima de parcelamento fixado no par\u00e1grafo 1\u00ba deste artigo, prevalecendo a de menor \u00e1rea <\/em>&#8220;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A escritura p\u00fablica de compra e venda rejeitada pelo Oficial de Registro Imobili\u00e1rio descreve com exatid\u00e3o o mesmo terreno de <em>1,08 ha <\/em>objeto da matr\u00edcula n\u00b0 16.055, <span style=\"text-decoration: underline;\">aberta em 14 de outubro de 1985<\/span>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Conforme se verifica nas fls. 19\/20 in\u00fameras foram \u00e0s transfer\u00eancias de propriedade do im\u00f3vel sem a apresenta\u00e7\u00e3o de nenhum obst\u00e1culo at\u00e9 agora pelo Oficial.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A conduta do Oficial do Registro de Im\u00f3veis de impedir, no caso em tela, mais uma vez o registro de transfer\u00eancia da propriedade integral do im\u00f3vel \u00e9 equivocada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De fato, \u00e9 not\u00f3rio o erro na abertura da matr\u00edcula de im\u00f3vel com \u00e1rea inferior ao m\u00f3dulo da propriedade rural (m\u00ednimo de <strong><em>2,0 ha<\/em><\/strong><em>).<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Todavia, passados mais de 15 anos do ocorrido, <em>eventual erro na abertura da matr\u00edcula j\u00e1 se acha acobertada pela<\/em> <em>usucapi\u00e3o. E a usucapi\u00e3o por ser forma origin\u00e1ria de aquisi\u00e7\u00e3o de<\/em> <em>propriedade pode ter por objeto \u00e1rea inferior ao m\u00f3dulo m\u00ednimo <\/em>(Apela\u00e7\u00e3o 006462-55.2009.8.26.0000, 1\u00aa C\u00e2mara de D. Privado, rel. Des. Cl\u00e1udio Godoy, j. 08.05.2012).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mantida a recusa do Oficial, outra sa\u00edda n\u00e3o restar\u00e1 ao recorrente a n\u00e3o ser ajuizar a\u00e7\u00e3o de usucapi\u00e3o, que fatalmente ser\u00e1 julgada procedente com a dispensa da exig\u00eancia da fra\u00e7\u00e3o m\u00ednima do m\u00f3dulo rural, uma vez que os apelantes e seus antecessores t\u00eam a posse do im\u00f3vel h\u00e1 mais de 15 anos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ocorre que a a\u00e7\u00e3o de usucapi\u00e3o, al\u00e9m de movimentar desnecessariamente a m\u00e1quina do Judici\u00e1rio, traria ainda mais preju\u00edzos aos recorrentes, notadamente em virtude do tempo, uma vez que, como se sabe, apenas seu ciclo citat\u00f3rio n\u00e3o raro leva anos para ser conclu\u00eddo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Diante desse quadro excepcional, mostra-se poss\u00edvel a dispensa de cumprimento aos art. 65 da Lei 4.504\/64 e 8\u00ba da Lei 5.868\/72.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Trata-se de solu\u00e7\u00e3o leg\u00edtima em evidente prest\u00edgio ao direito constitucional \u00e0 propriedade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por todo o exposto, dou provimento ao recurso interposto, para o fim de determinar o registro da escritura p\u00fablica apresentada pelos apelantes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>JOS\u00c9 RENATO NALINI<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Corregedor Geral da Justi\u00e7a e Relator. <\/strong>(D.J.E. de 03.04.2013 \u2013 SP)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>AC\u00d3RD\u00c3O Vistos, relatados e discutidos estes autos de APELA\u00c7\u00c3O C\u00cdVEL N\u00b0 0003873-70.2011.8.26.0471, da Comarca de PORTO FELIZ em que s\u00e3o apelantes JOS\u00c9 DONIZETTI DE ARA\u00daJO e ROSELI DE F\u00c1TIMA BERNADELLI DE ARA\u00daJO e apelado o OFICIAL DE REGISTRO DE IM\u00d3VEIS, T\u00cdTULOS E DOCUMENTOS E CIVIL DE PESSOA JUR\u00cdDICA da referida Comarca. 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