{"id":7168,"date":"2013-03-20T11:04:14","date_gmt":"2013-03-20T13:04:14","guid":{"rendered":"https:\/\/www.26notas.com.br\/blog\/\/?p=7168"},"modified":"2013-03-20T11:04:14","modified_gmt":"2013-03-20T13:04:14","slug":"artigo-sera-o-fim-do-papel-por-augusto-marcacini","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.26notas.com.br\/blog\/?p=7168","title":{"rendered":"Artigo: Ser\u00e1 o fim do papel? Por Augusto Marcacini"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Ser\u00e1 o fim do papel?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por\u00a0<a title=\"author profile\" href=\"http:\/\/www.blogger.com\/profile\/00745123566177209885\">Augusto Marcacini<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De alguma forma, tenho feito esta pergunta a mim mesmo ao longo dos \u00faltimos 15 anos, desde que escrevi o artigo\u00a0<em>\u201cO documento eletr\u00f4nico como meio de prova\u201d<\/em>\u00a0(que, ali\u00e1s, foi\u00a0<em>originalmente<\/em>\u00a0publicado\u00a0<em>on line<\/em>\u00a0em 1998; somente em 1999, uma vers\u00e3o com ligeiros acr\u00e9scimos seria publicada em papel na Revista de Direito Imobili\u00e1rio).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Desde ent\u00e3o,\u00a0meu\u00a0principal\u00a0interesse acerca\u00a0desse assunto\u00a0sempre\u00a0orbitou\u00a0em torno deseus\u00a0aspectos jur\u00eddicos:\u00a0pap\u00e9is que servem como\u00a0<em>instrumentos<\/em>, ou como\u00a0<em>prova<\/em>\u00a0de atos e fatos jur\u00eddicos,\u00a0poderiam ser substitu\u00eddos por arquivos de computador?\u00a0Ou,\u00a0ainda, autos judiciais\u00a0poderiam ser digitais?\u00a0Estes novos fen\u00f4menos est\u00e3o hoje nos alcan\u00e7ando, embora eu ainda considere que esta seja\u00a0a fronteira mais dif\u00edcil para a utiliza\u00e7\u00e3o dos\u00a0meios digitais\u00a0no lugar do velho papel, especialmente diante das muitas quest\u00f5es culturais\u00a0ou ligadas \u00e0\u00a0seguran\u00e7a\u00a0\u2013\u00a0estas nem sempre bem compreendidas\u00a0\u2013que est\u00e3o\u00a0envolvidas nessa mudan\u00e7a.\u00a0Mas j\u00e1\u00a0escrevi longas linhas sobre esse assunto e n\u00e3o \u00e9\u00a0minha inten\u00e7\u00e3o,\u00a0neste breve texto, resumir todos os aspectos envolvidos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ocorre\u00a0que, por vezes,\u00a0aquele esfor\u00e7o com que este\u00a0advogado e professor de\u00a0Direito Processual tenta abordar assuntos t\u00e9cnico-jur\u00eddicos ligados \u00e0\u00a0Inform\u00e1tica\u00a0cede espa\u00e7o \u00e0s\u00a0tentadoras\u00a0especula\u00e7\u00f5es sobre aspectos pol\u00edticos, sociais, econ\u00f4micos e culturais desta nossa nova sociedade da informa\u00e7\u00e3o,\u00a0temas\u00a0diante dos quais eu\u00a0talvez\u00a0n\u00e3o\u00a0seja mais do que um simples curioso.\u00a0Nada como escrever em um\u00a0<em>blog<\/em>, para podermos externar as nossas\u00a0mais\u00a0despreocupadas reflex\u00f5es!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como depois ressaltei em escritos posteriores, o fen\u00f4meno que prefiro chamar de\u00a0<em>\u201csubstitui\u00e7\u00e3o do papel\u201d<\/em>\u00a0\u00e9 anterior ao desenvolvimento da Inform\u00e1tica e ao aparecimento da Internet. Suportes f\u00edsicos de f\u00e1cil mobilidade como o papel e seus antecessores, o papiro e o pergaminho, foram por mil\u00eanios o mais eficiente meio de fixar e transmitir a informa\u00e7\u00e3o. Com o avan\u00e7o tecnol\u00f3gico dos \u00faltimos dois s\u00e9culos, o papel come\u00e7ou a ser substitu\u00eddo por meios intang\u00edveis de transmiss\u00e3o da informa\u00e7\u00e3o: vieram o tel\u00e9grafo, o telefone, o r\u00e1dio e a TV.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A correspond\u00eancia epistolar e os jornais noticiosos come\u00e7aram, ent\u00e3o, a enfrentar a concorr\u00eancia desses novos meios, que se afirmaram amplamente em nossa sociedade moderna. O uso de cartas na comunica\u00e7\u00e3o interpessoal perdeu sua primazia para o telefone. Mas o papel n\u00e3o desapareceu. Como ve\u00edculo de not\u00edcias, mesmo diante dos seus novos concorrentes, encontrou seu espa\u00e7o ao lado do r\u00e1dio e da TV. Se estas levaram vantagem pelo imediatismo e pelo impacto que causam a voz falada e as imagens em movimento, as palavras escritas de jornais e revistas ainda resistiram pelo oferecimento de maior profundidade, pela sua portabilidade e, tamb\u00e9m, pela longevidade da fixa\u00e7\u00e3o da informa\u00e7\u00e3o, que pode ser arquivada para futura releitura.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas a\u00ed chegou a Internet&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Todos os ve\u00edculos de not\u00edcia foram aos poucos criando as suas vers\u00f5es\u00a0<em>on line<\/em>. Creio que n\u00e3o haja um s\u00f3 noticioso, seja da imprensa escrita ou falada, que hoje j\u00e1 n\u00e3o esteja presente na Grande Rede, ainda que nem sempre apresentando vers\u00f5es integrais de suas not\u00edcias.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Jornais e revistas em papel continuar\u00e3o a existir?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tomei uma posi\u00e7\u00e3o pessoal e definitiva sobre essa pergunta h\u00e1 uns dois anos. Um erro da operadora de cart\u00e3o de cr\u00e9dito, ou da pr\u00f3pria pr\u00f3pria empresa jornal\u00edstica \u2013 nunca soube bem ao certo o que sucedeu \u2013 fez com que minha assinatura de jornal fosse acidentalmente cancelada. Lia esse jornal desde a inf\u00e2ncia, pois meu pai j\u00e1 o assinava. Adulto, segui com o h\u00e1bito.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Certo dia, por\u00e9m, sentindo falta do jornal, telefonei para o atendimento ao assinante, para perguntar o que tinha acontecido. E ouvi em resposta que o corte ocorrera havia\u00a0<em><strong>quatro meses<\/strong><\/em>, por falta de pagamento! Por um instante, ainda ao telefone, fiquei mudo; em seguida, refletindo melhor, notei que deveria fazer\u00a0<em>muito mais<\/em>\u00a0de quatro meses que eu j\u00e1 n\u00e3o lia not\u00edcias no exemplar em papel&#8230; Ele provavelmente s\u00f3 era usado para embrulhar o lixo, se tanto. Perguntei apenas se eu devia algo e decidi deixar as coisas como estavam.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sob todos os aspectos relacionados \u00e0\u00a0<em>efici\u00eancia<\/em>, no mundo da not\u00edcia n\u00e3o h\u00e1 concorr\u00eancia poss\u00edvel do papel com os meios digitais. O papel perde em todos eles. A Internet \u00e9 ainda mais \u00e1gil e instant\u00e2nea do que o r\u00e1dio e a TV; dispens\u00e1vel se mostra compar\u00e1-la com exemplares di\u00e1rios ou semanais. Jornais\u00a0<em>on line\u00a0<\/em>tornaram-se\u00a0port\u00e1veis como o papel, diante da \u201conda\u201d\u00a0dos\u00a0telefones\u00a0celulares,\u00a0<em>tablets<\/em>\u00a0ou outros dispositivos m\u00f3veis\u00a0j\u00e1\u00a0existentes ou a inventar.\u00a0O\u00a0jornal em papel precisa ser\u00a0<em>transportado<\/em>\u00a0at\u00e9\u00a0a cidade do leitor,\u00a0enquanto\u00a0a Internet est\u00e1 em praticamente todo o planeta.\u00a0E\u00a0\u00e9 poss\u00edvel, se necess\u00e1rio,\u00a0dar\u00a0mais profundidade\u00a0ao texto\u00a0do que\u00a0em\u00a0publica\u00e7\u00f5es em papel, pois ve\u00edculos\u00a0digitais n\u00e3o\u00a0sofrem\u00a0restri\u00e7\u00f5es\u00a0de espa\u00e7o para encaixar\u00a0a mat\u00e9ria\u00a0na apertada diagrama\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Jornais e revistas em papel ainda n\u00e3o acabaram por dois motivos.\u00a0O primeiro deles \u00e9 que\u00a0h\u00e1 leitores inerciais (por mero h\u00e1bito\u00a0rom\u00e2ntico, ou\u00a0por\u00a0resist\u00eancia \u00e0 tecnologia)\u00a0e, enquanto houver procura, haver\u00e1 oferta.\u00a0O outro,\u00a0mais determinante,\u00a0\u00e9\u00a0a falta de um modelo empresarial\u00a0comprovadamente\u00a0sustent\u00e1vel\u00a0para o jornal digital. De algum modo, ambos\u00a0ser\u00e3o\u00a0superados\u00a0e\u00a0isso\u00a0\u00e9 somente\u00a0uma quest\u00e3o de tempo.\u00a0Quanto ao segundo aspecto,\u00a0\u00e9 poss\u00edvel\u00a0afirmar que encontrar o modelo sustent\u00e1vel\u00a0no momento\u00a0certo\u00a0\u00e9 o que determinar\u00e1 a sele\u00e7\u00e3o das empresas de not\u00edcias\u00a0que continuar\u00e3o a existir no futuro. Por enquanto, todas elas est\u00e3o fazendo suas experi\u00eancias e\u00a0apenas\u00a0flertando com o novo paradigma,\u00a0na tentativa de conhecer melhor um futuro que certamente chegar\u00e1.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas o\u00a0que\u00a0realmente\u00a0me animou\u00a0a\u00a0refletir sobre\u00a0a pergunta do t\u00edtulo \u00e9 notar que\u00a0h\u00e1 um outro campo em que o papel ainda parece reinar com larga folga: o\u00a0do\u00a0mercado editorial.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O livro eletr\u00f4nico j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 novidade, mas o papel, aqui, ainda parece resistir com tenacidade ao avan\u00e7o da tecnologia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Continuaremos ainda a ler livros em papel?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Deixo essa quest\u00e3o para\u00a0o\u00a0pr\u00f3ximo\u00a0<em>post<\/em>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ser\u00e1 o fim do papel? Por\u00a0Augusto Marcacini De alguma forma, tenho feito esta pergunta a mim mesmo ao longo dos \u00faltimos 15 anos, desde que escrevi o artigo\u00a0\u201cO documento eletr\u00f4nico como meio de prova\u201d\u00a0(que, ali\u00e1s, foi\u00a0originalmente\u00a0publicado\u00a0on line\u00a0em 1998; somente em 1999, uma vers\u00e3o com ligeiros acr\u00e9scimos seria publicada em papel na Revista de Direito Imobili\u00e1rio). [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[14],"tags":[],"class_list":["post-7168","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-artigos"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.26notas.com.br\/blog\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/7168","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.26notas.com.br\/blog\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.26notas.com.br\/blog\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.26notas.com.br\/blog\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.26notas.com.br\/blog\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=7168"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.26notas.com.br\/blog\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/7168\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.26notas.com.br\/blog\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=7168"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.26notas.com.br\/blog\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=7168"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.26notas.com.br\/blog\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=7168"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}