{"id":6100,"date":"2012-07-31T10:09:51","date_gmt":"2012-07-31T12:09:51","guid":{"rendered":"https:\/\/www.26notas.com.br\/blog\/\/?p=6100"},"modified":"2012-07-31T10:09:51","modified_gmt":"2012-07-31T12:09:51","slug":"titulo-1a-vrpsp-registro-formal-de-partilha-materia-de-alta-indagacao-acordo-entre-as-partes-descabe-agora-a-este-juizo-no-ambito-da-duvida-imobiliaria-interpretar-diversamente-senao-reconhec","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.26notas.com.br\/blog\/?p=6100","title":{"rendered":"1\u00aa VRP|SP: Registro. Formal de Partilha. Mat\u00e9ria de alta indaga\u00e7\u00e3o. Acordo entre as partes. Descabe agora a este Ju\u00edzo, no \u00e2mbito da d\u00favida imobili\u00e1ria interpretar diversamente, sen\u00e3o reconhecer que o julgamento da partilha deu razo\u00e1vel interpreta\u00e7\u00e3o \u00e0 lei, aplicando literalmente o artigo 1.829, I do C\u00f3digo Civil, com a concord\u00e2ncia de todos os interessados. D\u00favida improcedente."},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Processo 0018171-79.2012.8.26.0100<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">CP 151<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">D\u00favida<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Registro de Im\u00f3veis<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">2\u00ba Oficial de Registro de Im\u00f3veis da Capital<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">MARIA TARCILA DE ALMEIDA SAMPAIO FALCO<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Vistos<\/strong>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tratam os autos de d\u00favida imobili\u00e1ria suscitada pelo 2\u00ba Oficial de Registro de Im\u00f3veis da Capital, por requerimento do Esp\u00f3lio de Maria Tarcila de Almeida Sampaio Falco, que recusou o registro do Formal de Partilha, extra\u00eddo do invent\u00e1rio dos bens deixados por Maria Tarcila de Almeida Sampaio Falco, porque um dos bens teve o quinh\u00e3o que tocaria ao c\u00f4njuge sobrevivente exclu\u00eddo da partilha, sem expressa ren\u00fancia ou doa\u00e7\u00e3o do herdeiro, em favor dos demais, filhos do casal, o que determinaria a necessidade de recolhimento do correspondente imposto de transmiss\u00e3o, se tal efetivamente tivesse ocorrido, o que n\u00e3o se fez.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Impugnada a d\u00favida, sobreveio parecer do Minist\u00e9rio P\u00fablico pela sua improced\u00eancia (fls. 162\/163).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00c9 o relat\u00f3rio<\/strong>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>DECIDO<\/strong>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A quest\u00e3o discutida nos autos est\u00e1 em saber se se deixou de incluir na partilha o c\u00f4njuge sobrevivente, para que concorresse com os descendentes. O argumento \u00e9 de que a exclus\u00e3o do c\u00f4njuge se poderia dar se houvesse ren\u00fancia de seu quinh\u00e3o, ou mesmo doa\u00e7\u00e3o dessa por\u00e7\u00e3o aos demais herdeiros, mas desde que tal fosse feito com o pagamento do correspondente imposto de transmiss\u00e3o, o que n\u00e3o ocorreu no caso. A de cujus havia recebido de sua genitora o im\u00f3vel que foi exclu\u00eddo da heran\u00e7a do c\u00f4njuge sup\u00e9rstite, com cl\u00e1usulas, o que teria determinado, por for\u00e7a da cl\u00e1usula de incomunicabilidade, essa solu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 certo que a cl\u00e1usula de incomunicabilidade n\u00e3o pode excluir a heran\u00e7a, mas apenas a mea\u00e7\u00e3o, porque ambas n\u00e3o se confundem, como aduzido na suscita\u00e7\u00e3o da d\u00favida imobili\u00e1ria. Todavia, no caso dos autos h\u00e1 que ser considerado o regime de bens, que era o da comunh\u00e3o universal, o que determina, por imperativo do artigo 1.829 do C\u00f3digo Civil, que a concorr\u00eancia do c\u00f4njuge sobrevivo com os descendentes n\u00e3o se d\u00e1 quando o casamento tiver sido no regime da comunh\u00e3o universal de bens. O Superior Tribunal de Justi\u00e7a, interpretando esse dispositivo, assenta que tal se justificaria porque o c\u00f4njuge casado no regime da comunh\u00e3o universal de bens j\u00e1 teria direito \u00e0 mea\u00e7\u00e3o, pelo que seria razo\u00e1vel que n\u00e3o concorresse tamb\u00e9m \u00e0 heran\u00e7a (nesse sentido o julgado do STJ &#8211; 3\u00aa T. RMS 22.684, Min. Nancy Andrighi, j. 7.5.07, DJU 28.05.07, in Theot\u00f4nio Negr\u00e3o e Outros, C\u00f3digo Civil e Legisla\u00e7\u00e3o Civil em vigor, 2012, p. 640).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o obstante essa interpreta\u00e7\u00e3o teleol\u00f3gica n\u00e3o se amolde ao caso dos autos, porque com a cl\u00e1usula de incomunicabilidade o c\u00f4njuge sobrevivente tamb\u00e9m n\u00e3o ter\u00e1 direito \u00e0 mea\u00e7\u00e3o, for\u00e7oso reconhecer que a mat\u00e9ria \u00e9 de interpreta\u00e7\u00e3o discut\u00edvel, houve acordo entre todos os envolvidos e foi assim julgada a partilha judicial. Descabe agora a este Ju\u00edzo, no \u00e2mbito da d\u00favida imobili\u00e1ria interpretar diversamente, sen\u00e3o reconhecer que o julgamento da partilha deu razo\u00e1vel interpreta\u00e7\u00e3o \u00e0 lei, aplicando literalmente o artigo 1.829, I do C\u00f3digo Civil, com a concord\u00e2ncia de todos os interessados. N\u00e3o h\u00e1, pois, como afirmar, no caso, tenha havido transmiss\u00e3o do quinh\u00e3o do c\u00f4njuge sup\u00e9rstite aos descendentes, por ren\u00fancia ou doa\u00e7\u00e3o, com necessidade de recolhimento do imposto de transmiss\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ocorreu apenas aplica\u00e7\u00e3o daquela disposi\u00e7\u00e3o legal constante do referido artigo de lei, que exclui da partilha o c\u00f4njuge que era casado no regime da comunh\u00e3o universal de bens sem que caiba agora discutir a melhor interpreta\u00e7\u00e3o daquela norma, j\u00e1 aplicada no julgamento da partilha.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Diante do exposto julgo IMPROCEDENTE a d\u00favida suscitada pelo Oficial do 2\u00ba Registro de Im\u00f3veis da Capital, por requerimento do Esp\u00f3lio de Maria Tarcila de Almeida Sampaio Falco, para determinar o registro do t\u00edtulo objeto da prenota\u00e7\u00e3o n\u00ba 346.122, afastada a recusa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Oportunamente, cumpra-se o artigo 203, II da Lei de Registros P\u00fablicos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">P.R.I..<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">S\u00e3o Paulo, 17 de julho de 2012.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Marcelo Martins Berthe -Juiz de Direito<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">(D.J.E. de 27.07.2012)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Processo 0018171-79.2012.8.26.0100 CP 151 D\u00favida Registro de Im\u00f3veis 2\u00ba Oficial de Registro de Im\u00f3veis da Capital MARIA TARCILA DE ALMEIDA SAMPAIO FALCO Vistos. 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