{"id":5351,"date":"2012-02-17T13:08:56","date_gmt":"2012-02-17T15:08:56","guid":{"rendered":"https:\/\/www.26notas.com.br\/blog\/\/?p=5351"},"modified":"2012-02-17T13:08:56","modified_gmt":"2012-02-17T15:08:56","slug":"tjpr-apelacao-civel-acao-anulatoria-de-disposicoes-testamentarias-prevalencia-da-real-intencao-do-testador-irrelevancia-do-termo-utilizado-no-testamento-intui","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.26notas.com.br\/blog\/?p=5351","title":{"rendered":"TJ|PR: Apela\u00e7\u00e3o c\u00edvel \u2013 A\u00e7\u00e3o anulat\u00f3ria de disposi\u00e7\u00f5es testament\u00e1rias \u2013 Preval\u00eancia da real inten\u00e7\u00e3o do testador \u2013 Irrelev\u00e2ncia do termo utilizado no testamento \u2013 Intuito de deixar \u00e0 vi\u00fava-meeira a parte dispon\u00edvel de seus bens \u2013 Validade da cl\u00e1usula \u2013 1. Irrelevante se o termo empregado na escritura p\u00fablica de testamento faz refer\u00eancia a instituto diverso daquele a que o testador quis mencionar \u2013 2. Havendo interpreta\u00e7\u00f5es diversas, necess\u00e1rio averiguar a verdadeira inten\u00e7\u00e3o do testador, consoante disposi\u00e7\u00e3o do C\u00f3digo Civil \u2013 Recurso provido."},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Apela\u00e7\u00e3o c\u00edvel \u2013 A\u00e7\u00e3o anulat\u00f3ria de disposi\u00e7\u00f5es testament\u00e1rias \u2013 Preval\u00eancia da real inten\u00e7\u00e3o do testador \u2013 Irrelev\u00e2ncia do termo utilizado no testamento \u2013 Intuito de deixar \u00e0 vi\u00fava-meeira a parte dispon\u00edvel de seus bens \u2013 Validade da cl\u00e1usula \u2013 1. Irrelevante se o termo empregado na escritura p\u00fablica de testamento faz refer\u00eancia a instituto diverso daquele a que o testador quis mencionar \u2013 2. Havendo interpreta\u00e7\u00f5es diversas, necess\u00e1rio averiguar a verdadeira inten\u00e7\u00e3o do testador, consoante disposi\u00e7\u00e3o do C\u00f3digo Civil \u2013 Recurso provido. <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>EMENTA<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">APELA\u00c7\u00c3O C\u00cdVEL. A\u00c7\u00c3O ANULAT\u00d3RIA DE DISPOSI\u00c7\u00d5ES TESTAMENT\u00c1RIAS. PREVAL\u00caNCIA DA REAL INTEN\u00c7\u00c3O DO TESTADOR. IRRELEV\u00c2NCIA DO TERMO UTILIZADO NO TESTAMENTO. INTUITO DE DEIXAR \u00c0 VI\u00daVA-MEEIRA A PARTE DISPON\u00cdVEL DE SEUS BENS. VALIDADE DA CL\u00c1USULA. 1. <em>Irrelevante se o termo empregado na escritura p\u00fablica de testamento faz refer\u00eancia a instituto diverso daquele a que o testador quis mencionar.<\/em> 2. <em>Havendo interpreta\u00e7\u00f5es diversas, necess\u00e1rio averiguar a verdadeira inten\u00e7\u00e3o do testador, consoante disposi\u00e7\u00e3o do C\u00f3digo Civil.<\/em> RECURSO PROVIDO.<strong> (TJPR \u2013 Apela\u00e7\u00e3o C\u00edvel n\u00ba 774918-8 \u2013 Curitiba \u2013 11\u00aa C\u00e2mara C\u00edvel \u2013 Rel. Des. Vilma R\u00e9gia Ramos de Rezende \u2013 DJ 27.01.2012)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>RELAT\u00d3RIO<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>VISTOS<\/strong>, relatados e discutidos estes autos de Apela\u00e7\u00e3o C\u00edvel n.\u00ba <strong>774.918-8<\/strong>, oriundos da Vig\u00e9sima Vara C\u00edvel do Foro Central da Comarca da Regi\u00e3o Metropolitana de Curitiba, distribu\u00eddos a esta D\u00e9cima Primeira C\u00e2mara C\u00edvel do TRIBUNAL DE JUSTI\u00c7A DO ESTADO DO PARAN\u00c1, em que figuram como Apelantes <strong>LUIZA<\/strong> <strong>MARCHESINI FOLADOR E OUTROS <\/strong>e como Apelados <strong>GLAUCO<\/strong> <strong>XAVIER DE ALMEIDA E MARIA DA GRA\u00c7A FOLADOR DE ALMEIDA.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Trata-se de Apela\u00e7\u00e3o C\u00edvel interposta contra a senten\u00e7a (fls. 85\/93), proferida nos autos de <em>A\u00e7\u00e3o Anulat\u00f3ria de<\/em> <em>Disposi\u00e7\u00f5es Testament\u00e1rias n\u00ba 281\/2007<\/em>, em tr\u00e2mite perante a Vig\u00e9sima Vara C\u00edvel do Foro Central da Comarca da Regi\u00e3o Metropolitana de Curitiba, proposta por <strong>GLAUCO XAVIER DE<\/strong> <strong>ALMEIDA E MARIA DA GRA\u00c7A FOLADOR DE ALMEIDA <\/strong>em face de <strong>LUIZA MARCHESINI FOLADOR E OUTROS<\/strong>, que a julgou procedente, declarando a nulidade do testamento feito por NABOR FOLADOR, no que tange ao legado de sua \u201cmea\u00e7\u00e3o dispon\u00edvel\u201d \u00e0 vi\u00fava meeira, bem como da cl\u00e1usula que instituiu o usufruto vital\u00edcio em favor da vi\u00fava meeira sobre os bens da leg\u00edtima, com fundamento nos artigos 1848, 1899 e 2042, do C\u00f3digo Civil. Pela sucumb\u00eancia, condenou os Requeridos ao pagamento das custas processuais e honor\u00e1rios advocat\u00edcios de R$ 5.000,00 (cinco mil reais).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os Embargos de Declara\u00e7\u00e3o opostos (fls. 97\/104) foram rejeitados (fls. 117\/118).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>LUIZA MARCHESINI FOLADOR E OUTROS <\/strong>interpuseram recurso de Apela\u00e7\u00e3o (fls. 121\/136), sustentando, em<strong> <\/strong>s\u00edntese, que:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>a) <\/strong>a senten\u00e7a reconheceu que a vontade do testador era a de deixar \u00e0 esposa a metade de sua mea\u00e7\u00e3o, por\u00e9m, anulou-o sob o fundamento de que, por se tratar de legado, poderia apenas dispor de um ou alguns bens;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>b) <\/strong>o testador era homem de neg\u00f3cios e sabia a diferen\u00e7a entre metade de seus bens e esse ou aquele bem, em particular, por\u00e9m, n\u00e3o detinha conhecimento t\u00e9cnico jur\u00eddico para definir os termos \u201ctestamento\u201d e \u201clegado\u201d;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>c) <\/strong>declara\u00e7\u00e3o do Tabeli\u00e3o do 4\u00ba Tabelionato de Notas de Curitiba esclarece o fato;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>d) <\/strong><em>\u201ca inser\u00e7\u00e3o da palavra lega n\u00e3o pode prevalecer e desnaturar o conte\u00fado da disposi\u00e7\u00e3o testament\u00e1ria, <span style=\"text-decoration: underline;\">muito menos invalid\u00e1-la<\/span>, quando o testador deixou claro que deixava para a sua esposa A METADE DISPON\u00cdVEL DE <span style=\"text-decoration: underline;\">TODOS OS SEUS BENS<\/span> e n\u00e3o esse ou aquele bem\u201d <\/em>(fls. 128);<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>e) <\/strong>consoante disposi\u00e7\u00e3o do art. 1666 do C\u00f3digo Civil de 1916, atual art. 1899, existindo d\u00favida quanto \u00e0 reda\u00e7\u00e3o do testamento, deve o mesmo ser interpretado de forma a assegurar a vontade do testador;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>f) <\/strong>o testamento, realizado por escritura p\u00fablica, preenche todos os requisitos legais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Recurso recebido em ambos os efeitos (fls. 140) e contra-arrazoado (fls.142\/147 e 149\/153).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00c9 o relat\u00f3rio.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>VOTO<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Presentes os pressupostos de admissibilidade, o recurso re\u00fane condi\u00e7\u00f5es para ser conhecido e, no m\u00e9rito, provido.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Cuida-se de a\u00e7\u00e3o anulat\u00f3ria de disposi\u00e7\u00f5es testament\u00e1rias julgada procedente em primeiro grau, sob o fundamento de que, embora se extraia do testamento que o falecido desejou deixar \u00e0 vi\u00fava-meeira a metade dispon\u00edvel de seus bens, a forma empregada \u00e9 nula, j\u00e1 que o legado \u00e9 instituto utilizado para deixar bens individualizados ao legat\u00e1rio, sendo imposs\u00edvel para universalidades.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A escritura p\u00fablica de testamento lavrada em 01 de dezembro de 1999 acostada \u00e0s fls. 10\/11 tem a seguinte reda\u00e7\u00e3o:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>\u201c[&#8230;] \u00e9 casado pelo regime da comunh\u00e3o Universal de Bens com Luiza Marchesini Folador, que desse seu matrim\u00f4nio houve 04 (quatro) filhos, [&#8230;]; que, de acordo com o que lhe \u00e9 facultado pelo C\u00f3digo Civil Brasileiro, <span style=\"text-decoration: underline;\">lega ap\u00f3s a sua morte, a mea\u00e7\u00e3o dispon\u00edvel de todo os seus bens e haveres,<\/span> para a sua esposa Luiza Marchesini Folador [&#8230;].\u201d <\/em>(grifamos)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Consoante bem apontado pela senten\u00e7a <em>a quo<\/em>, o C\u00f3digo Civil de 1916, vigente \u00e0 \u00e9poca da assinatura do testamento, em seu art. 1666, com reda\u00e7\u00e3o igual no art. 1899 do atual, preceitua que <span style=\"text-decoration: underline;\">quando houver d\u00favidas acerca da interpreta\u00e7\u00e3o a ser dada \u00e0 cl\u00e1usula testament\u00e1ria, deve prevalecer a que melhor assegure a vontade do testador:<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>\u201cArt. 1.666. Quando a cl\u00e1usula testament\u00e1ria for suscet\u00edvel de interpreta\u00e7\u00f5es diferentes, prevalecer\u00e1 a que melhor assegure a observ\u00e2ncia da vontade do testador.\u201d<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A doutrina j\u00e1 discorreu acerca dessa norma, se manifestando da forma a seguir:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>\u201cAssim, dando-se a devida interpreta\u00e7\u00e3o ao art. 1.899, utilizando-se os elementos filol\u00f3gico, l\u00f3gico, sistem\u00e1tico e teleol\u00f3gico, entendo que o referido preceito ordena que <span style=\"text-decoration: underline;\">o testamento deve ser interpretado com rigorosa observ\u00e2ncia da<\/span> <span style=\"text-decoration: underline;\">vontade do testador,<\/span> alcan\u00e7ando-se a real inten\u00e7\u00e3o do disponente, com vistas a dar os efeitos <\/em>queridos <em>pelo declarante.\u201d <\/em>(grifamos)<br \/>\n(VELOSO, Zeno. <strong>Coment\u00e1rios ao C\u00f3digo Civil. <\/strong>S\u00e3o Paulo: Saraiva, 2003. v. 21. p. 209)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>\u201cA interpreta\u00e7\u00e3o do ato negocial situa-se na seara do conte\u00fado da declara\u00e7\u00e3o volitiva, pois o int\u00e9rprete do sentido negocial n\u00e3o deve ater-se, unicamente, \u00e0 exegese do neg\u00f3cio jur\u00eddico, ou seja, ao exame gramatical de seus termos, mas sim em fixar a vontade, procurando suas consequ\u00eancias jur\u00eddicas, indagando sua inten\u00e7\u00e3o, sem se vincular, estritamente, ao teor ling\u00fc\u00edstico do ato negocial. (&#8230;)\u201d<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">(DINIZ, Maria Helena. <em>in <\/em>FIUZA, Ricardo \u2013 coord. <strong>Novo c\u00f3digo civil comentado. <\/strong>S\u00e3o Paulo: Saraiva, 2003, p. 120)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A jurisprud\u00eancia tamb\u00e9m segue o mesmo entendimento:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u201cANULA\u00c7\u00c3O DE TESTAMENTO \u2013 AGRAVO RETIDO &#8211; PRESCRI\u00c7\u00c3O &#8211; AFASTADA &#8211; APLICA\u00c7\u00c3O DO ART. 177, DO CC\/16 &#8211; RECURSO CONHECIDO E N\u00c3O PROVIDO. APELA\u00c7\u00c3O C\u00cdVEL 1 E 2 \u2013 MESMAS INSURG\u00caNCIAS &#8211; INCAPACIDADE DO TESTADOR &#8211; MOMENTO DO ATO &#8211; N\u00c3O COMPROVADA \u2013 TESTADOR ACOMETIDO DE C\u00c2NCER O QUE POR SI S\u00d3 N\u00c3O LHE RETIROU A CAPACIDADE PARA TESTAR &#8211; \u00d4NUS DOS AUTORES &#8211; NULIDADE DO TESTAMENTO POR TRIBUNAL DE JUSTI\u00c7A V\u00cdCIO &#8211; AFASTADA &#8211; OBSERV\u00c2NCIA DAS SOLENIDADES &#8211; FORMALISMO QUE N\u00c3O PODE SE OPOR \u00c0 VONTADE DO TESTADOR &#8211; DIVERSOS FATORES QUE COMPROVAM O DESEJO CONSIGNADO NO TESTAMENTO COMO O DESEJO DO TESTADOR &#8211; EMPRESA RODERJAN &amp; CIA PODE INTEGRAR O TESTAMENTO \u2013 PRETENS\u00c3O DO TESTADOR &#8211; RECURSOS CONHECIDOS E N\u00c3O PROVIDOS. <\/em><\/strong><em>1. Trata-se de testamento p\u00fablico em que a incapacidade do testador deve ser demonstrada de forma robusta, o que n\u00e3o foi feito no caso concreto. \u00d4nus que incumbe aos autores, nos termos do art. 333, I, do CPC. 2. O rigorismo formal n\u00e3o deve ser levado ao extremo, de maneira a se sobrepor \u00e0 vontade real manifestada pelo testador, desde que respeitados os requisitos m\u00ednimos de seguran\u00e7a, quais sejam a autenticidade e a fidelidade. O testador ratificou o seu conte\u00fado, ap\u00f3s a leitura do testamento, na presen\u00e7a de testemunhas e o entregou ao Tabeli\u00e3o.\u201d <\/em>(Ac. un. n\u00ba 17.640, da 12\u00aa CC do TJPR, de Curitiba, Rel. Des. <strong>ANTONIO LOYOLA VIEIRA, <\/strong><em>in <\/em>DJ de 31\/03\/2011)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u201cRECURSO ESPECIAL. DIREITO CIVIL. A\u00c7\u00c3O DE ANULA\u00c7\u00c3O DE TESTAMENTO P\u00daBLICO. FORMALIDADES LEGAIS. PREVAL\u00caNCIA DA VONTADE DO TESTADOR. REEXAME DE PROVA. IMPOSSIBILIDADE. S\u00daMULA 7\/STJ. OFENSA AO ART. 535 DO CPC N\u00c3O CONFIGURADA. HONOR\u00c1RIOS ADVOCAT\u00cdCIOS. MODIFICA\u00c7\u00c3O EM RAZ\u00c3O DA REFORMA DA SENTEN\u00c7A DE PROCED\u00caNCIA. POSSIBILIDADE. AUS\u00caNCIA DE OFENSA AOS ART. 460 E 515 DO CPC. <\/em><\/strong><em>1. Em mat\u00e9ria testament\u00e1ria, a interpreta\u00e7\u00e3o deve ser voltada no sentido da preval\u00eancia da manifesta\u00e7\u00e3o de vontade do testador, orientando, inclusive, o magistrado quanto \u00e0 aplica\u00e7\u00e3o do sistema de nulidades, que apenas n\u00e3o poder\u00e1 ser mitigado, diante da exist\u00eancia de fato concreto, pass\u00edvel de ensejar d\u00favida acerca da pr\u00f3pria faculdade que tem o testador de livremente dispor acerca de seus bens, o que n\u00e3o se faz presente nos autos. 2. A verifica\u00e7\u00e3o da nulidade do testamento, pela n\u00e3o observ\u00e2ncia dos requisitos legais de validade, exige o revolvimento do suporte f\u00e1tico probat\u00f3rio da demanda, o que \u00e9 vedado pela S\u00famula 07\/STJ. 3. Inocorr\u00eancia de viola\u00e7\u00e3o ao princ\u00edpio da unidade do ato notarial (art. 1632 do CC\/16). 4. Recurso especial desprovido.\u201d <\/em>(REsp n\u00ba 753.261\/SP, da 3\u00aa T. do STJ, Rel. Min. <strong>PAULO DE TARSO SANSEVERINO, <\/strong><em>in <\/em>DJe de 05\/04\/2011)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u201cCIVIL. TESTAMENTO P\u00daBLICO. V\u00cdCIOS FORMAIS QUE N\u00c3O COMPROMETEM A HIGIDEZ DO ATO OU P\u00d5EM EM D\u00daVIDA A VONTADE DA TESTADORA. NULIDADE AFASTADA. SUMULA N. 7-STJ. <\/em><\/strong><em>I. Inclina-se a jurisprud\u00eancia do STJ pelo<strong> <\/strong>aproveitamento do testamento quando, n\u00e3o obstante a<strong> <\/strong>exist\u00eancia de certos v\u00edcios formais, a ess\u00eancia do ato se<strong> <\/strong>mant\u00e9m \u00edntegra, reconhecida pelo Tribunal estadual, soberano<strong> <\/strong>no exame da prova, a fidelidade da manifesta\u00e7\u00e3o de vontade<strong> <\/strong>da testadora, sua capacidade mental e livre express\u00e3o. II. &#8220;A pretens\u00e3o de simples reexame de prova n\u00e3o enseja recurso especial&#8221; (S\u00famula n. 7\/STJ). III. Recurso especial n\u00e3o conhecido.\u201d <\/em>(REsp n\u00ba 600.746\/PR, da 4\u00aa T. do STJ, Rel. Min. <strong>ALDIR PASSARINHO JUNIOR, <\/strong><em>in <\/em>DJe de 15\/06\/2010)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E, da leitura do testamento, na parte acima transcrita, extrai-se que o testador tinha a n\u00edtida vontade de deixar \u00e0 vi\u00fava-meeira a parte dispon\u00edvel de seus bens, sendo irrelevante que tenha sido empregado o termo \u201clega\u201d no documento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De fato, se o intento do falecido era deixar \u00e0 esposa a universalidade de seus bens e n\u00e3o algum bem individualizado, n\u00e3o poderia ter se valido do legado. Por\u00e9m, \u00e9 facilmente constatado que sua vontade era <span style=\"text-decoration: underline;\">deixar todos os seus bens dispon\u00edveis.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para corroborar \u00e9 de se destacar a declara\u00e7\u00e3o de fls. 138 prestada pelo Tabeli\u00e3o do 4\u00ba Tabelionato de Notas desta Capital, nos seguintes termos:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>\u201c[&#8230;] <span style=\"text-decoration: underline;\">\u00e9 usual utilizar-se em testamento p\u00fablico o termo \u201clega\u201d no sentido de deixa, ou doa, ent\u00e3o quanto se diz lego \u00e0 determinada pessoa a minha parte ou metade dispon\u00edvel, quer se dizer deixo para determinada pessoa minha parte ou a metade dispon\u00edvel dos bens que existir por ocasi\u00e3o de minha morte. Quando se tratar de \u201clegado\u201d, do termo do c\u00f3digo civil brasileiro, utiliza se o termo \u201cvem por este meio legar\u201d tal qual coisa ou objeto<\/span>.\u201d<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Desse modo, n\u00e3o agiu com acerto o juiz monocr\u00e1tico, pois reconhecendo a real inten\u00e7\u00e3o do testador, devia ter declarado a validade da cl\u00e1usula que deixa \u00e0 vi\u00fava a parte dispon\u00edvel de seus bens, merecendo provimento o apelo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>DISPOSITIVO<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Diante do exposto, <strong>ACORDAM <\/strong>os Julgadores integrantes da D\u00e9cima Primeira C\u00e2mara C\u00edvel do Tribunal de Justi\u00e7a do Estado do Paran\u00e1, por <strong><em>unanimidade <\/em><\/strong>de votos, <strong>DAR PROVIMENTO <\/strong>ao Recurso de Apela\u00e7\u00e3o, nos termos da fundamenta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Participaram do julgamento e acompanharam a relatora o Desembargador <strong>AUGUSTO LOPES C\u00d4RTES <\/strong>e a Ju\u00edza Substituta de 2\u00ba Grau <strong>DILMARI HELENA KESSLER.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Curitiba, 18 de janeiro de 2012.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>VILMA R\u00c9GIA RAMOS DE REZENDE \u2013<em> <\/em><\/strong>Desembargadora Relatora.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fonte: Boletim INR n\u00ba 5117 &#8211; Grupo Serac &#8211; S\u00e3o Paulo, 17 de Fevereiro de 2012.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Apela\u00e7\u00e3o c\u00edvel \u2013 A\u00e7\u00e3o anulat\u00f3ria de disposi\u00e7\u00f5es testament\u00e1rias \u2013 Preval\u00eancia da real inten\u00e7\u00e3o do testador \u2013 Irrelev\u00e2ncia do termo utilizado no testamento \u2013 Intuito de deixar \u00e0 vi\u00fava-meeira a parte dispon\u00edvel de seus bens \u2013 Validade da cl\u00e1usula \u2013 1. Irrelevante se o termo empregado na escritura p\u00fablica de testamento faz refer\u00eancia a instituto diverso [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[26],"tags":[],"class_list":["post-5351","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-tjs"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.26notas.com.br\/blog\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/5351","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.26notas.com.br\/blog\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.26notas.com.br\/blog\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.26notas.com.br\/blog\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.26notas.com.br\/blog\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=5351"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.26notas.com.br\/blog\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/5351\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.26notas.com.br\/blog\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=5351"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.26notas.com.br\/blog\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=5351"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.26notas.com.br\/blog\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=5351"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}