{"id":485,"date":"2010-02-04T11:05:50","date_gmt":"2010-02-04T13:05:50","guid":{"rendered":"http:\/\/homologacao.26notas.com.br\/blog\/?p=485"},"modified":"2010-02-04T11:05:50","modified_gmt":"2010-02-04T13:05:50","slug":"tabeliao-e-arlequim","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.26notas.com.br\/blog\/?p=485","title":{"rendered":"Tabeli\u00e3o e Arlequim"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Desce a avenida o Arlequim, fantasiado no Carnaval tupiniquim. Deixou o macac\u00e3o xadrez dourado e vermelho em Veneza e segue cantando e dan\u00e7ando nas ruas em busca da Colombina.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><a href=\"http:\/\/homologacao.26notas.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2010\/02\/alerquim11.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-491 aligncenter\" title=\"alerquim1\" src=\"http:\/\/homologacao.26notas.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2010\/02\/alerquim11.jpg\" alt=\"\" width=\"208\" height=\"250\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0 Todo ano \u00e9 assim na folia. Arlequim se diverte e esquece os problemas da vida, problem\u00f5es melhor j\u00e1 lembrar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0 \u00c9 hora de esquecer seus dois senhores, fruto da feliz id\u00e9ia de servir a dois para comer duas vezes com infelizes resultados, j\u00e1 que seu tempo \u00e9 um s\u00f3 e as ordens dos patr\u00f5es s\u00e3o sempre para ontem e, pior, algumas vezes contradit\u00f3rias.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0 Tal escolha lhe reservara um triste destino, somente esquecido durante a folia.\u00a0 \u00c9 poss\u00edvel servir a dois senhores?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0 Sim!, pensara entusiasmado, imaginando os dois almo\u00e7os por dia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0 &#8211; N\u00e3o, claro que n\u00e3o!, j\u00e1 gritava a sua m\u00e3ezinha, j\u00e1 ida mas sempre lembrada por s\u00e1bia e amorosa, muito mais de amor, pois nem estudara. Desde a inf\u00e2ncia, Arlequim ouvira a m\u00e3e citar trechos da b\u00edblia e n\u00e3o \u00e9 que havia um a ensinar que ningu\u00e9m pode servir a dois senhores porque vai se devotar muito a um e esquecer\u00e1 do outro senhor?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0 Lembrar da b\u00edblia em plena avenida buscando a Colombina prometida? N\u00e3o ser\u00e1 melhor ingerir mais bebida e um pouco tamb\u00e9m dessas novas p\u00edlulas coloridas?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0 &#8211; Cru\u00e9is patr\u00f5es, afastem-se de mim por ao menos quatro dias! Este per\u00edodo \u00e9 feito para vestir e projetar as fantasias que mover\u00e3o este trabalhador at\u00e9 a pr\u00f3xima folia!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0 &#8211; Valha-me S\u00e3o Mateus!, perdoa m\u00e3ezinha. Fui logo eu, mero tabeli\u00e3o, decidir-me a servir a dois senhores. Trabalho em dobro e n\u00e3o vejo o precioso tempo de meus dois almo\u00e7os. De gula e gan\u00e2ncia fui ser, como o homem que no carnaval se veste de mulher, escravo da ambiguidade.<\/p>\n<p>\u00a0 Neste instante, a Colombina desce a ladeira, cercada por Pierr\u00f4s. A purpurina brilha-lhe o corpo lindo e a luz dela projeta estrelas. Arlequim se revigora.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><a href=\"http:\/\/homologacao.26notas.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2010\/02\/alerquim22.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-493   aligncenter\" title=\"alerquim2\" src=\"http:\/\/homologacao.26notas.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2010\/02\/alerquim22-300x224.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"224\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0 &#8211; Vou deixar-te agora Estado-Pantale\u00e3o! Pouco me importam tamb\u00e9m os desejos do outro senhor, este cidad\u00e3o, mais de mil palha\u00e7os metendo-se sempre a comprar e vender e a doar e a tantos ares e tamb\u00e9m verbos que terminam em eres e ires. Ora, quem vai me fazer feliz \u00e9 Colombina!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0 Ela leva seu bloco rua abaixo, lan\u00e7ando olhares para o foli\u00e3o atormentado. Arlequim admira enquanto pode a sua imagem j\u00e1 de costas, gravando a dan\u00e7a sensual, apesar dos Pierr\u00f4s que lhe bloqueiam mais e mais a vis\u00e3o de seu destino.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0 Deixa-se cair sentado na cal\u00e7ada. Um dentre tantos foli\u00f5es, a alegria sempre vencida pelo cansa\u00e7o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0 Mas n\u00e3o neste caso. Arlequim, largara o corpo desalentado, mas a mente, tomada de lucidez, deixa o balan\u00e7o do samba e decide purificar sua vida antes da carne.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0 &#8211; Fico com um almo\u00e7o e um senhor. \u00c9 tudo de comida e trabalho. O resto \u00e9 o amor de Colombina.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0 H\u00e1 um problema, por\u00e9m. Qual senhor escolher?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0 Rapidinho pensa nas pessoas que buscam seus esfor\u00e7os, nos dramas que lhes correm nas veias e como ele, Arlequim, os traduz em conselhos, escritos e at\u00e9 l\u00e1grimas sens\u00edveis aos fatos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0 V\u00ea a l\u00f3gica de prover-lhes as formas aos atos e a de manter-lhes a dignidade da intimidade e vida privada. O que interessa aos outros foli\u00f5es, e tamb\u00e9m a Estado-Pantale\u00e3o, o que constr\u00f3i cada uma destas pessoas que a mim vem pedir meus servi\u00e7os? Devo-lhes a fidelidade de um servidor, n\u00e3o cumplicidade a um outro senhor, conclui.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0 As pessoas s\u00e3o seu senhor. Pelos meus servi\u00e7os, dedica\u00e7\u00e3o e fidelidade, esta gente me pagar\u00e1 meus almo\u00e7os seguidos de belas sobremesas, pensa Arlequim. Para elas, a utilidade de seus servi\u00e7os decorre da l\u00f3gica de prover-lhes a solu\u00e7\u00e3o para os neg\u00f3cios que praticam. Ainda que muitos busquem sempre pagar-lhe o menor dos sal\u00e1rios, a maioria sente a troca justa do ato aut\u00eantico pelo almo\u00e7o que precisa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0 Seu outro senhor \u00e9 o Estado-Pantale\u00e3o. Este, trata-o como um cachorro sarnento, dando todos os mimos para outros servos e amigos. As escrituras, seu principal servi\u00e7o, s\u00e3o feitas h\u00e1 muito tempo por banc\u00e1rios e agora at\u00e9 por qualquer um. A mesma f\u00e9 que Estado-Pantale\u00e3o lhe dera, d\u00e1 hoje a quem quiser.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><a href=\"http:\/\/homologacao.26notas.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2010\/02\/alerquim31.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-494 aligncenter\" title=\"alerquim3\" src=\"http:\/\/homologacao.26notas.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2010\/02\/alerquim31-229x300.jpg\" alt=\"\" width=\"229\" height=\"300\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0 Mas n\u00e3o \u00e9 s\u00f3. Estado-Pantale\u00e3o n\u00e3o lhe d\u00e1 qualquer valor, despreza-o e exige que Arlequim conte, tintim por tintim, cada centavo do imposto ainda nem devido. Este senhor in\u00edquo obriga que Arlequim exija tantos pap\u00e9is e pro\u00edba de fazerem neg\u00f3cios entre si os que imagina dever-lhe d\u00edvidas. Qualquer erro ou falha, desconta-se lhe o sal\u00e1rio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0 Por tudo isso, os ganhos do foli\u00e3o alucinado s\u00f3 minguaram. E n\u00e3o \u00e9 que mesmo assim, o Estado-Pantale\u00e3o decidiu cobrar do servidor pela Ingest\u00e3o de Sal no Servi\u00e7o cobrando tal quantia por um percentual fixo!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0 &#8211; Este ISS \u00e9 a gota d\u00b4\u00e1gua, conclui Arlequim.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0 &#8211; Minha decis\u00e3o est\u00e1 feita. Nasci para servir \u00e0s pessoas. \u00c9 delas que me vem o sal da vida, o <em>anima<\/em> da alma, a alegria do Carnaval. Das pessoas tiro o bem. A elas dedico o carinho de meu trabalho para deix\u00e1-las seguras.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0 &#8211; Ao Estado-Pantale\u00e3o, ao contr\u00e1rio, devo pouco, somente o que a lei me obriga. Por isso, nada mais devo querer com tal dessenhor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0 Volta a sentir o carnaval e v\u00ea que o bloco de Colombina se aproxima de novo. Sentado, \u00e9 gozado pelos sambantes Pierr\u00f4s, como ele apaixonados pela musa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0 Ela olha-o e chama. D\u00e1 um salto e j\u00e1 dan\u00e7a. Fecha a janela do balan\u00e7o de senhores. J\u00e1 pode brincar o carnaval sem medo. Sabe que o pior servo \u00e9 aquele que n\u00e3o quer ver.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Desce a avenida o Arlequim, fantasiado no Carnaval tupiniquim. 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