{"id":3896,"date":"2011-06-03T20:23:39","date_gmt":"2011-06-03T22:23:39","guid":{"rendered":"https:\/\/www.26notas.com.br\/blog\/\/?p=3896"},"modified":"2011-06-03T20:23:39","modified_gmt":"2011-06-03T22:23:39","slug":"stj-superior-vai-decidir-se-google-deve-indenizacao-por-nao-retirar-pagina-ofensiva-do-orkut","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.26notas.com.br\/blog\/?p=3896","title":{"rendered":"STJ: Superior vai decidir se Google deve indeniza\u00e7\u00e3o por n\u00e3o retirar p\u00e1gina ofensiva do Orkut"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Ap\u00f3s ser comunicado sobre exist\u00eancia de conte\u00fado ofensivo em site de relacionamento, provedor de internet que n\u00e3o retira a p\u00e1gina do ar deve indenizar o ofendido? A quest\u00e3o ser\u00e1 debatida pela 4\u00aa turma do STJ.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O ministro Luis Felipe Salom\u00e3o, do STJ, deu provimento a agravo de instrumento (AG 1312161 &#8211;\u00a0<a href=\"http:\/\/www.stj.jus.br\/webstj\/processo\/justica\/jurisprudencia.asp?tipo=num_pro&amp;valor=Ag%201312161\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>clique aqui<\/strong><\/a>) para que o Superior analise o recurso apresentado pelo Google contra decis\u00e3o do TJ\/MG. A Justi\u00e7a mineira determinou que a empresa pagasse uma indeniza\u00e7\u00e3o de R$ 13.950 a uma pessoa que teve sua imagem denegrida no site de relacionamento Orkut. O TJ\/MG negou a subida \u00e0 Corte Superior do recurso contra essa decis\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De acordo com o processo, fotos que o pr\u00f3prio autor da a\u00e7\u00e3o de indeniza\u00e7\u00e3o mantinha em seu Orkut foram copiadas e usadas na cria\u00e7\u00e3o de outro perfil no mesmo site de relacionamento com o objetivo de prejudic\u00e1-lo. O fato foi comunicado ao Orkut, conforme comprovado nos autos, e mesmo assim a p\u00e1gina ofensiva n\u00e3o foi retirada do site.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A comunica\u00e7\u00e3o da ofensa e a in\u00e9rcia do Orkut foram determinantes para que a Justi\u00e7a mineira decidisse pelo dever de indenizar. O ac\u00f3rd\u00e3o de apela\u00e7\u00e3o destacou que, em regra, o provedor de hospedagem n\u00e3o \u00e9 respons\u00e1vel pelo conte\u00fado das informa\u00e7\u00f5es que exibe no site. Mas ressalvou que h\u00e1 culpa quando a empresa se recusa a identificar o ofensor ou a interromper a p\u00e1gina depreciativa ou inver\u00eddica ap\u00f3s ser formalmente notificada do abuso pelo lesado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Precedente<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A 3\u00aa turma do STJ julgou, em dezembro de 2010, um caso semelhante (REsp 1.193.764 &#8211;\u00a0<a href=\"http:\/\/www.stj.jus.br\/webstj\/Processo\/Justica\/detalhe.asp?numreg=201000845120&amp;pv=010000000000&amp;tp=51\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>clique aqui<\/strong><\/a>), tamb\u00e9m envolvendo ofensas no Orkut. Nesse processo, o pedido de indeniza\u00e7\u00e3o por danos morais foi negado. A turma entendeu que o Google n\u00e3o poderia ser responsabilizado pelo material publicado no site de relacionamento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ao negar a indeniza\u00e7\u00e3o, a ministra Nancy Andrighi, relatora do caso, destacou que os provedores de conte\u00fado n\u00e3o respondem objetivamente pela inser\u00e7\u00e3o no site, por terceiros, de informa\u00e7\u00f5es ilegais, at\u00e9 porque eles n\u00e3o podem ser obrigados a exercer um controle pr\u00e9vio do conte\u00fado das informa\u00e7\u00f5es publicadas pelos usu\u00e1rios.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Contudo, os dois casos t\u00eam uma diferen\u00e7a importante, que \u00e9 justamente o ponto a ser analisado pela 4\u00aa turma: o comportamento da Google ap\u00f3s tomar conhecimento do conte\u00fado ofensivo. No recurso julgado pela 3\u00aa turma, a empresa adotou as medidas cab\u00edveis para identificar o respons\u00e1vel pela publica\u00e7\u00e3o ofensiva.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A pr\u00f3pria relatora destacou na decis\u00e3o que, assim que tiverem conhecimento inequ\u00edvoco da exist\u00eancia de dados ilegais no site, os provedores &#8220;<em>devem remov\u00ea-los imediatamente, sob pena de responderem pelos danos respectivos<\/em>&#8220;. Essa \u00e9 a hip\u00f3tese que ser\u00e1 julgada pela 4\u00aa turma.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><span style=\"text-decoration: underline;\">Processo Relacionado<\/span><\/strong>\u00a0: AG 1312161 &#8211;\u00a0<a href=\"http:\/\/www.stj.jus.br\/webstj\/processo\/justica\/jurisprudencia.asp?tipo=num_pro&amp;valor=Ag%201312161\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>clique aqui<\/strong><\/a>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Confira abaixo a decis\u00e3o na \u00edntegra.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">__________<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">AGRAVO DE INSTRUMENTO N\u00ba 1.312.161 &#8211; MG (2010\/0093658-2)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">RELATOR : MINISTRO LUIS FELIPE SALOM\u00c3O<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">AGRAVANTE : GOOGLE BRASIL INTERNET LTDA<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">ADVOGADOS : RICARDO BARRETTO FERREIRA DA SILVA E OUTRO(S)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">PAULO MARCOS RODRIGUES BRANCHER E OUTRO(S)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">AGRAVADO : G M DAS N<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">ADVOGADO : BIANCA ARONI<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>DECIS\u00c3O<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">1.Cuida-se de agravo de instrumento de decis\u00e3o que negou seguimento a recurso especial interposto com fulcro no art. 105, III, al\u00edneas &#8220;a&#8221; e &#8220;c&#8221;, da Constitui\u00e7\u00e3o Federal, contra ac\u00f3rd\u00e3o do Tribunal de Justi\u00e7a do Estado de Minas Gerais, assim ementado:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">INDENIZA\u00c7\u00c3O. DANOS MORAIS. PROVEDOR GOOGLE. ORKUT.\u00a0RESPONSABILIDADE. VALOR EXCESSIVO. Inexiste norma que impute ao provedor de servi\u00e7o o dever legal de monitoramento das comunica\u00e7\u00f5es, esse procedimento seria invi\u00e1vel do ponto de vista jur\u00eddico, pois implicaria negar aplica\u00e7\u00e3o ao princ\u00edpio constitucional da livre manifesta\u00e7\u00e3o de pensamento.\u00a0Na hip\u00f3tese dos autos, a responsabilidade \u00e9 imputada ao servidor de hospedagem, pois, mesmo ap\u00f3s ter sido comunicado acerca do conte\u00fado da comunidade ofensiva, n\u00e3o retirou a p\u00e1gina do site de relacionamento. Em que pese a que deva ser considerada a capacidade econ\u00f4mica do causador do dano, amoldando-se a condena\u00e7\u00e3o de mordo que as finalidades de reparar o ofendido e punir o infrator sejam atingidas, n\u00e3o pode representar enriquecimento il\u00edcito \u00e0 pessoa lesada. Recurso parcialmente provido.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O caso dos autos traz a\u00e7\u00e3o de indeniza\u00e7\u00e3o por danos morais em virtude de fotos do recorrido, existentes em perfil criado no site de relacionamento Orkut, terem sido utilizadas por outro usu\u00e1rio para criar p\u00e1gina falsa com intuito de denegrir a imagem do autor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O voto condutor do ac\u00f3rd\u00e3o, ao fixar a indeniza\u00e7\u00e3o por danos morais em R$13.950,00 se amparou nos seguintes argumentos:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Pelas provas existentes nos autos, restou incontroversa a divulga\u00e7\u00e3o de conte\u00fado inapropriado e ofensivo \u00e0 imagem do autor, no portal de relacionamento Orkut.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">[&#8230;]<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com efeito, cabe inicialmente esclarecer que inexiste norma que impute \u00e0 recorrida o dever legal de monitoramento das comunica\u00e7\u00f5es, al\u00e9m de ser esse procedimento invi\u00e1vel do ponto de vista jur\u00eddico, pois implicaria negar aplica\u00e7\u00e3o ao princ\u00edpio constitucional da livre manifesta\u00e7\u00e3o do pensamento (art. 5\u00ba, inciso V, da CF).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">[&#8230;]<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No caso, o GOOGLE disponibiliza aos usu\u00e1rios espa\u00e7o eletr\u00f4nico denominado &#8220;Orkut&#8221;, no qual qualquer pessoa que tenha acesso \u00e0 rede de relacionamento pode publicar texto ou criar comunidades livremente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Portanto, diversamente do Douto sentenciante, entendo que o provedor de hospedagem n\u00e3o \u00e9 respons\u00e1vel pelo conte\u00fado dos sites que hospeda, uma vez que a responsabilidade pela m\u00e1 conduta \u00e9 dos usu\u00e1rios do portal de relacionamento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Analisando-se a posi\u00e7\u00e3o da recorrida em rela\u00e7\u00e3o aos atos noticiados na inicial, verifica-se que o servi\u00e7o do GOOGLE foi utilizado por terceiro, como mero instrumento de difus\u00e3o de ofensa, e mais, o autor j\u00e1 se encontrava exposto a partir do momento em que se utilizava do Orkut.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Assim, depreende-se que, em regra, o provedor de hospedagem n\u00e3o \u00e9 respons\u00e1vel pelo conte\u00fado das informa\u00e7\u00f5es que exibe no site, salvo se recusar a identificar o ofensor ou se recusar a interromper a p\u00e1gina depreciativa ou inver\u00eddica, quando formalmente notificado do abuso pelo lesado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No caso dos autos, o autor alega na inicial que comunicou o fato ao ORKUT, o que afirma restar comprovado atrav\u00e9s do CD arquivado na secretaria do Ju\u00edzo da Comarca de Juiz de Fora (fls. 35).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Verifica-se que a apelante n\u00e3o impugnou a exist\u00eancia da comunica\u00e7\u00e3o ao apresentar a pe\u00e7a de defesa, tornando-se tal fato incontroverso, uma vez que s\u00f3 foi combatido em sede de Apela\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Assim, entendo que a culpa da apelante encontra-se presente atrav\u00e9s de sua neglig\u00eancia, pios, mesmo ap\u00f3s ter sido comunicada da ocorr\u00eancia dos fatos noticiados nos autos, manteve-se inerte, permitindo que fosse perpetuada a ofensa \u00e0 honra e a imagem do apelado, s\u00f3 tendo cessado ap\u00f3s a concess\u00e3o da liminar nos presentes autos.[&#8230;]&#8221;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Aponta o recorrente afronta aos artigos 186 e 927, do C\u00f3digo Civil, bem como diverg\u00eancia jurisprudencial, ao argumento de que n\u00e3o \u00e9 respons\u00e1vel pelo evento danoso e objetivando a redu\u00e7\u00e3o do quantum indenizat\u00f3rio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">2. Em face das circunst\u00e2ncias que envolvem o presente caso, com base no artigo 34, inciso VII, do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justi\u00e7a, e para melhor exame do objeto do recurso, DOU PROVIMENTO ao presente agravo de instrumento, para determinar a subida do recurso especial, sem preju\u00edzo de novo exame acerca de seu cabimento, a ser realizado no momento processual oportuno.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Publique-se. Intimem-se.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Bras\u00edlia (DF), 31 de maio de 2011.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>MINISTRO LUIS FELIPE SALOM\u00c3O<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Relator<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fonte: <a href=\"http:\/\/www.migalhas.com.br\/Quentes\/17,MI134788,31047-STJ+vai+decidir+se+Google+deve+indenizacao+por+nao+retirar+pagina\">Migalhas<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ap\u00f3s ser comunicado sobre exist\u00eancia de conte\u00fado ofensivo em site de relacionamento, provedor de internet que n\u00e3o retira a p\u00e1gina do ar deve indenizar o ofendido? A quest\u00e3o ser\u00e1 debatida pela 4\u00aa turma do STJ. 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