{"id":2630,"date":"2010-11-19T11:54:28","date_gmt":"2010-11-19T13:54:28","guid":{"rendered":"https:\/\/www.26notas.com.br\/blog\/\/?p=2630"},"modified":"2010-11-19T11:54:28","modified_gmt":"2010-11-19T13:54:28","slug":"cgjsp-usufruto-renuncia-parcial-via-administrativa-impossibilidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.26notas.com.br\/blog\/?p=2630","title":{"rendered":"CGJ|SP: Usufruto. Ren\u00fancia parcial. Via administrativa. Possibilidade."},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/www.26notas.com.br\/blog\/\/wp-content\/uploads\/2010\/11\/tjsp1.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-thumbnail wp-image-2545\" title=\"tjsp\" src=\"https:\/\/www.26notas.com.br\/blog\/\/wp-content\/uploads\/2010\/11\/tjsp1-150x103.jpg\" alt=\"\" width=\"150\" height=\"103\" \/><\/a>Decis\u00e3o 156\/92 Data: 20\/7\/1992 Localidade: Paragua\u00e7u Paulista<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Relator: Francisco Eduardo Loureiro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">AVERBA\u00c7\u00c3O &#8211; Usufruto &#8211; Ren\u00fancia parcial &#8211; Indeferimento &#8211; Inadmissibilidade &#8211; Desnecessidade da exist\u00eancia de mandado judicial em procedimento de jurisdi\u00e7\u00e3o volunt\u00e1ria &#8211; Averba\u00e7\u00e3o do cancelamento que pode ser feita diretamente pelo registrador, independentemente de qualquer outro elemento f\u00e1tico ou externo, se a prova do fato extintivo estiver consubstanciada na pr\u00f3pria escritura p\u00fablica de ren\u00fancia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00cdntegra:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Exmo. Sr. Corregedor:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Cuida-se de recurso interposto por Antonio Sim\u00e3o Stefano contra a r. decis\u00e3o de fls. 34\/36 dos autos, proferida pelo MM. Juiz Corregedor Permanente do Cart\u00f3rio de Registro de Im\u00f3veis da comarca de Paragua\u00e7u Paulista, que indeferiu, na esfera administrativa, pedido de averba\u00e7\u00e3o de ren\u00fancia parcial de usufruto, por entender indispens\u00e1vel \u00e1 exist\u00eancia de mandado judicial em procedimento de jurisdi\u00e7\u00e3o volunt\u00e1ria, como preconizado no art. 1.112, VI do CPC.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Alega o recorrente que a ren\u00fancia, consubstanciada em escritura p\u00fablica, \u00e9 documento h\u00e1bil ao almejado cancelamento, independente de qualquer provid\u00eancia judicial.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Contou o recurso com Parecer desfavor\u00e1vel da Dra. Curadora de Registros P\u00fablicos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 o relat\u00f3rio do necess\u00e1rio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Passo a opinar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 certo que o art. 1.112, VI do CPC, disp\u00f5e que se aplica o procedimento especial de jurisdi\u00e7\u00e3o volunt\u00e1ria aos casos de extin\u00e7\u00e3o de usufruto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por outro lado, disp\u00f5e o art. 250, III, da Lei 6.015\/73, que o cancelamento de registro far-se-\u00e1 mediante requerimento do interessado, instru\u00eddo com documento h\u00e1bil, diretamente ao Oficial do Registro predial.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Atualmente, existe entendimento tranq\u00fcilo no sentido de que nem todas as causas que levam \u00e0 extin\u00e7\u00e3o do usufruto necessitam de pronunciamento judicial. O caso mais comum \u00e9 o da morte do usufrutu\u00e1rio, sendo o cancelamento feito mediante apresenta\u00e7\u00e3o de simples requerimento ao registrador, acompanhado da respectiva certid\u00e3o de \u00f3bito.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No caso em quest\u00e3o, o usufrutu\u00e1rio, por escritura p\u00fablica, renunciou a parte do usufruto. Embora n\u00e3o prevista expressamente no art. 739 do CC, d\u00favida n\u00e3o resta que a ren\u00fancia \u00e9 forma de extin\u00e7\u00e3o do usufruto. No dizer de Caio M\u00e1rio da Silva Pereira, trata-se o usufruto de um direito patrimonial de ordem privada e, como tal, suscet\u00edvel de ren\u00fancia, que muito freq\u00fcentemente se d\u00e1 no momento em que usufrutu\u00e1rio e nu propriet\u00e1rio alienam o bem frug\u00edfero\u201d(Institui\u00e7\u00f5es de Direito Civil, Forense, v. IV\/206).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A baliza do cancelamento administrativo ou judicial do usufruto \u00e9 a exist\u00eancia ou n\u00e3o de acontecimentos f\u00edsicos, que demandem necessidade de aprecia\u00e7\u00e3o de provas e fatos ex\u00f3genos ao registro e ao t\u00edtulo apresentado pelo interessado. Nesse sentido \u00e9 a li\u00e7\u00e3o de Jos\u00e9 Olympio de Castro Filho (Coment\u00e1rios ao C\u00f3digo de Processo Civil, t. X, p. 90, Forense) citada pela pr\u00f3pria Oficial do Registro de im\u00f3veis a fls. 25. N\u00e3o se v\u00ea, todavia, em escritura p\u00fablica de ren\u00fancia parcial de usufruto, qualquer elemento ex\u00f3geno ou aprecia\u00e7\u00e3o de fatos que exijam a interven\u00e7\u00e3o judicial. Pode perfeitamente o registrador, dentro de seu poder qualificador, proceder o exame da escritura p\u00fablica de ren\u00fancia e o conseq\u00fcente cancelamento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nesse sentido, a respeito do tema, j\u00e1 prelecionava o cl\u00e1ssico Miguel Maria de Serpa Lopes, na vig\u00eancia da lei anterior, que \u201cna ren\u00fancia, o t\u00edtulo h\u00e1bil para o cancelamento da inscri\u00e7\u00e3o \u00e9 a escritura competente\u201d (Tratado dos Registros P\u00fablicos, v. III\/165. Livraria Jacinto, Rio de Janeiro, 1940).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tamb\u00e9m Afr\u00e2nio de Carvalho ensina que \u201cassim como a certid\u00e3o de \u00f3bito do usufrutu\u00e1rio basta para o referido fim, tamb\u00e9m satisfaz a escritura p\u00fablica de ren\u00fancia, total ou parcial, do usufrutu\u00e1rio em benef\u00edcio do nu-propriet\u00e1rio, ou de venda conjunta dos dois a um estranho\u201d (Registro de Im\u00f3veis, Forense, 1977, p. 94). Para Maria Helena Diniz, \u201cn\u00e3o h\u00e1 necessidade de recorrer ao Poder Judici\u00e1rio para averbar a extin\u00e7\u00e3o do \u00f4nus no registro competente, nos casos de morte, ren\u00fancia e advento do termo\u201d (Curso de Direito Civil Brasileiro, Saraiva, v. 4 1304). Confira-se ainda, no mesmo sentido, a li\u00e7\u00e3o de Ademar Fioraneli, em artigo sobre o tema, copiado parcialmente a fls. 46\/52 dos autos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em resumo, se a prova do fato extintivo est\u00e1 consubstanciada na pr\u00f3pria escritura p\u00fablica de ren\u00fancia, independentemente de qualquer outro elemento f\u00e1tico ou externo, pode a averba\u00e7\u00e3o do cancelamento ser feita diretamente pelo registrador.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o cabe, finalmente, nesta esfera administrativa, qualquer fixa\u00e7\u00e3o de indeniza\u00e7\u00e3o pelo simples fato de a Oficial ter desqualificado o t\u00edtulo do recorrente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Isto posto, o Parecer que me permito submeter ao elevado crit\u00e9rio de V. Exa. \u00e9 no sentido do provimento do recurso, determinando seja feita a averba\u00e7\u00e3o da ren\u00fancia parcial de usufruto almejada pelo recorrente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sub censura.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">S\u00e3o Paulo, 20 de julho de 1992<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Francisco Eduardo Loureiro, Juiz de Direito Corregedor.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Decis\u00e3o 156\/92 Data: 20\/7\/1992 Localidade: Paragua\u00e7u Paulista Relator: Francisco Eduardo Loureiro. 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