{"id":13913,"date":"2017-11-02T15:08:36","date_gmt":"2017-11-02T17:08:36","guid":{"rendered":"https:\/\/www.26notas.com.br\/blog\/?p=13913"},"modified":"2017-11-02T15:08:36","modified_gmt":"2017-11-02T17:08:36","slug":"cnj-pedido-de-providencias-art-20-da-resolucao-cnj-no-2282016-documentos-anteriores-a-resolucao-ato-juridico-perfeito-e-seguranca-juridica-reconsideracao-da-decisao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.26notas.com.br\/blog\/?p=13913","title":{"rendered":"CNJ: Pedido de Provid\u00eancias \u2013 Art. 20 da Resolu\u00e7\u00e3o CNJ n\u00ba 228\/2016 \u2013 Documentos anteriores \u00e0 Resolu\u00e7\u00e3o \u2013 Ato jur\u00eddico perfeito e seguran\u00e7a jur\u00eddica &#8211; Reconsidera\u00e7\u00e3o da decis\u00e3o anterior &#8211; An\u00e1lise do \u00f3rg\u00e3o pleno do Conselho Nacional de Justi\u00e7a, recomendando a revoga\u00e7\u00e3o do art. 20 da Resolu\u00e7\u00e3o n. 228\/CNJ, visto que viola preceito fundamental disposto no art. 5\u00ba, XXXVI, da CF\/88."},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-13553\" src=\"https:\/\/www.26notas.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/07\/Decis\u00f5es-CNJ-1024x470.png\" alt=\"\" width=\"420\" height=\"193\" \/><\/p>\n<p><strong>Autos: PEDIDO DE PROVID\u00caNCIAS &#8211; 0006637-35.2016.2.00.0000<\/strong><br \/>\n<strong>Requerente: CENTRO DE ESTUDOS DAS SOCIEDADES DE ADVOGADOS \u2013 CESA<\/strong><br \/>\n<strong>Requerido: CONSELHO NACIONAL DE JUSTI\u00c7A<\/strong><br \/>\n<strong>Advogado: DF42930 \u2013 NATALIA ALVES BARBOSA<\/strong><\/p>\n<p><strong>EMENTA<\/strong><\/p>\n<p>RECURSO ADMINISTRATIVO. PEDIDO DE PROVID\u00caNCIAS. REVOGA\u00c7\u00c3O DO ART. 20 DA\u00a0RESOLU\u00c7\u00c3O 228\/CNJ. VIOLA\u00c7\u00c3O DO ART. 5\u00ba, XXXVI DA\u00a0CF\/88. CONSECT\u00c1RIOS DO ATO JUR\u00cdDICO PERFEITO E DA SEGURAN\u00c7A JUR\u00cdDICA.<\/p>\n<p>1. N\u00e3o h\u00e1 como a Administra\u00e7\u00e3o, na edi\u00e7\u00e3o de ato normativo regulamentar, afastar consect\u00e1rios constitucionais previstos com garantia fundamental, cl\u00e1usula p\u00e9trea por excel\u00eancia.<\/p>\n<p>2. Recurso administrativo provido.<\/p>\n<p><strong>AC\u00d3RD\u00c3O<\/strong><\/p>\n<p>O Conselho, por unanimidade, deu provimento ao recurso e julgou procedente o pedido para revogar o artigo 20 da\u00a0Resolu\u00e7\u00e3o 228\/CNJ, nos termos do voto do Relator. Plen\u00e1rio Virtual, 21 de setembro de 2017. Votaram os Excelent\u00edssimos Conselheiros Jo\u00e3o Ot\u00e1vio de Noronha, Aloysio Corr\u00eaa da Veiga, Carlos Levenhagen, Daldice Santana, Fernando Mattos, Rog\u00e9rio Nascimento, Norberto Campelo, Andr\u00e9 Godinho, Maria Tereza Uille e Henrique \u00c1vila. N\u00e3o votaram os Excelent\u00edssimos Conselheiros Presidente C\u00e1rmen L\u00facia, Bruno Ronchetti e, em raz\u00e3o das vac\u00e2ncias dos cargos, os representantes do Tribunal Regional do Trabalho, da Justi\u00e7a do Trabalho e do Minist\u00e9rio P\u00fablico Estadual.<\/p>\n<p><strong>RELAT\u00d3RIO<\/strong><\/p>\n<p><strong>EXMO. SR. CORREGEDOR NACIONAL DE JUSTI\u00c7A, MINISTRO JO\u00c3O OT\u00c1VIO DE NORONHA:<\/strong><\/p>\n<p>Trata-se de recurso administrativo interposto por CENTRO DE ESTUDOS DAS SOCIEDADES DE ADVOGADOS \u2013 CESA contra decis\u00e3o que determinou o arquivamento do presente pedido de provid\u00eancias (<strong><a href=\"https:\/\/www.26notas.com.br\/blog\/?p=13792\">Id 2103534<\/a><\/strong>).<\/p>\n<p>Em suas raz\u00f5es, a parte reitera os argumentos acerca da necessidade de revoga\u00e7\u00e3o do art. 20 da\u00a0Resolu\u00e7\u00e3o n. 228\/CNJ.<\/p>\n<p>Afirma que a imposi\u00e7\u00e3o de data limite para apresenta\u00e7\u00e3o de documentos estrangeiros legalizados anteriormente \u00e0 14 de agosto de 2016 fere os consect\u00e1rios do ato jur\u00eddico perfeito e da seguran\u00e7a jur\u00eddica, uma vez que a sua valida\u00e7\u00e3o por Embaixadas e Reparti\u00e7\u00f5es Consulares implica em legitima\u00e7\u00e3o do ato para produzir plenos efeitos em territ\u00f3rio nacional (<a href=\"https:\/\/www.26notas.com.br\/blog\/?p=13792\">Id <\/a>2118041).<\/p>\n<p>Por fim, requer seja reconsiderada a decis\u00e3o de <strong><a href=\"https:\/\/www.26notas.com.br\/blog\/?p=13792\">Id 2103534<\/a><\/strong>, de modo a ser alterada a\u00a0Resolu\u00e7\u00e3o n. 228\/CNJ, ante a revoga\u00e7\u00e3o do seu art. 20, fazendo com que os documentos legalizados no exterior antes da entrada em vigor do referido ato normativo mantenham seus efeitos, sem limita\u00e7\u00e3o temporal e sem a necessidade de apostilamento.<\/p>\n<p>\u00c9 o relat\u00f3rio.<\/p>\n<p><strong>VOTO<\/strong><\/p>\n<p><strong>EXMO. SR. CORREGEDOR NACIONAL DE JUSTI\u00c7A, MINISTRO JO\u00c3O OT\u00c1VIO DE NORONHA:<\/strong><\/p>\n<p>A Seguran\u00e7a Jur\u00eddica, delineada como princ\u00edpio, pode ser subdividida em duas concep\u00e7\u00f5es, subjetiva e objetiva, a saber:<\/p>\n<blockquote><p>\u201cA seguran\u00e7a jur\u00eddica \u00e9 entendida como sendo um conceito ou um princ\u00edpio jur\u00eddico que se ramifica em duas partes, uma de natureza objetiva e outra de natureza subjetiva. A primeira, de natureza objetiva, \u00e9 aquela que envolve a quest\u00e3o dos limites \u00e0 retroatividade dos atos do Estado at\u00e9 mesmo quando estes se qualifiquem como atos legislativos. Diz respeito, portanto, \u00e0 prote\u00e7\u00e3o ao direito adquirido, ao ato jur\u00eddico perfeito e \u00e0 coisa julgada (&#8230;). A outra, de natureza subjetiva, concerne \u00e0 prote\u00e7\u00e3o das pessoas no pertinente aos atos, procedimentos e condutas do Estado, nos mais diferentes aspectos de sua atua\u00e7\u00e3o\u201d (COUTO E SILVA, 2005, p. 3-4).\u201d<\/p><\/blockquote>\n<p>O aspecto subjetivo acima mencionado retrata o conceito do princ\u00edpio da confian\u00e7a, do qual \u00e9 poss\u00edvel retirar a necessidade de a Administra\u00e7\u00e3o transmitir ao particular seguran\u00e7a em rela\u00e7\u00e3o ao reconhecimento de atos j\u00e1 praticados ante a presun\u00e7\u00e3o de legitimidade, inerente aos atos administrativos\u00a0<em>lato senso.\u00a0<\/em>Isso nada mais \u00e9 do que o efeito podr\u00f4mico conferido pela doutrina aos atos administrativos.<\/p>\n<p>Conforme reiterado pela parte nas raz\u00f5es do recurso administrativo (Id 2118039), n\u00e3o h\u00e1 como a Administra\u00e7\u00e3o, na edi\u00e7\u00e3o de ato normativo regulamentar, afastar consect\u00e1rios constitucionais previstos com garantia fundamental, cl\u00e1usula p\u00e9trea por excel\u00eancia.<\/p>\n<p>Assim, de acordo com art. 5\u00ba, XXXVI, da\u00a0CF\/88: \u201ca lei n\u00e3o prejudicar\u00e1 o direito adquirido, o ato jur\u00eddico perfeito e a coisa julgada\u201d.<\/p>\n<p>Nota-se que a express\u00e3o lei contida no dispositivo acima mencionado deve ser interpretada de forma ampla e irrestrita, abarcando, inclusive, os atos proferidos por \u00f3rg\u00e3os pertencentes aos poderes institucionais, dentro dos quais, enquadra-se este Conselho Nacional de Justi\u00e7a.<\/p>\n<p>Por este motivo, os documentos estrangeiros regularizados nos termos da legisla\u00e7\u00e3o de reg\u00eancia anterior \u00e0 edi\u00e7\u00e3o da\u00a0Resolu\u00e7\u00e3o n. 228\/CNJ, n\u00e3o podem ser condicionados \u00e0 posterior legaliza\u00e7\u00e3o, visto que j\u00e1 constituem ato jur\u00eddico perfeito. Entender de modo diverso seria desrespeitar a orienta\u00e7\u00e3o do pr\u00f3prio constituinte origin\u00e1rio, o que n\u00e3o \u00e9 permitido em hip\u00f3tese alguma em um estado constitucional de direito.<\/p>\n<p>O condicionamento descrito no art. 20 da\u00a0Resolu\u00e7\u00e3o n. 228\/CNJ, somente seria poss\u00edvel em casos extremos, onde os documentos estrangeiros n\u00e3o teriam findado o tr\u00e2mite de legaliza\u00e7\u00e3o e consequente valida\u00e7\u00e3o em territ\u00f3rio nacional.<\/p>\n<p>De outro modo, os documentos legalizados em per\u00edodo anterior a 14 de agosto de 2016, por Embaixadas e Reparti\u00e7\u00f5es Consulares brasileiras em pa\u00edses signat\u00e1rios da Conven\u00e7\u00e3o de Haia, permanecem produzindo os mesmos efeitos, posto que encerram todas as exig\u00eancias feitas \u00e0 \u00e9poca da sua valida\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Assim, reconsidero a decis\u00e3o de arquivamento proferida sob o <strong><a href=\"https:\/\/www.26notas.com.br\/blog\/?p=13792\">Id 2103534<\/a><\/strong> e submeto a presente an\u00e1lise ao \u00f3rg\u00e3o pleno deste Conselho Nacional de Justi\u00e7a, recomendando a revoga\u00e7\u00e3o do art. 20 da\u00a0Resolu\u00e7\u00e3o n. 228\/CNJ, visto que viola preceito fundamental disposto no art. 5\u00ba, XXXVI, da\u00a0CF\/88.<\/p>\n<p>Ante o exposto,\u00a0<strong>dou provimento ao recurso administrativo.<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00c9 como voto.<\/strong><\/p>\n<p>Bras\u00edlia, 29.09.2017.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Autos: PEDIDO DE PROVID\u00caNCIAS &#8211; 0006637-35.2016.2.00.0000 Requerente: CENTRO DE ESTUDOS DAS SOCIEDADES DE ADVOGADOS \u2013 CESA Requerido: CONSELHO NACIONAL DE JUSTI\u00c7A Advogado: DF42930 \u2013 NATALIA ALVES BARBOSA EMENTA RECURSO ADMINISTRATIVO. PEDIDO DE PROVID\u00caNCIAS. REVOGA\u00c7\u00c3O DO ART. 20 DA\u00a0RESOLU\u00c7\u00c3O 228\/CNJ. VIOLA\u00c7\u00c3O DO ART. 5\u00ba, XXXVI DA\u00a0CF\/88. CONSECT\u00c1RIOS DO ATO JUR\u00cdDICO PERFEITO E DA SEGURAN\u00c7A JUR\u00cdDICA. 1. 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