{"id":13700,"date":"2017-09-06T14:30:00","date_gmt":"2017-09-06T16:30:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.26notas.com.br\/blog\/?p=13700"},"modified":"2017-09-06T14:30:00","modified_gmt":"2017-09-06T16:30:00","slug":"csmsp-registro-de-imoveis-duvida-imovel-alienado-pelo-far-operado-pela-caixa-economica-federal-sem-previo-arrendamento-inteligencia-dos-artigos-1o-%c2%a73o-art","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.26notas.com.br\/blog\/?p=13700","title":{"rendered":"CSM|SP: Registro de im\u00f3veis\u00a0\u2013 D\u00favida \u2013 Im\u00f3vel alienado pelo FAR, operado pela Caixa Econ\u00f4mica Federal, sem pr\u00e9vio arrendamento \u2013 Intelig\u00eancia dos artigos 1\u00ba, \u00a73\u00ba, art. 2\u00ba, \u00a77\u00ba, II e art. 8\u00ba, \u00a71\u00ba, da Lei n\u00ba 10.188\/01 \u2013 Exig\u00eancias corretas \u2013 Irresigna\u00e7\u00e3o parcial \u2013 Recurso n\u00e3o conhecido."},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-13357\" src=\"https:\/\/www.26notas.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/04\/Decis\u00e7\u00f5es-CSM1-1024x550.png\" alt=\"\" width=\"420\" height=\"225\" \/><\/p>\n<p><strong>AC\u00d3RD\u00c3O<\/strong><\/p>\n<p>Vistos, relatados e discutidos estes autos do(a)\u00a0<strong>Apela\u00e7\u00e3o n\u00ba 0017007-90.2015.8.26.0224,<\/strong>\u00a0da Comarca de\u00a0<strong>Guarulhos<\/strong>, em que s\u00e3o partes \u00e9 apelante\u00a0<strong>BANCO CAIXA ECONOMICA FEDERAL<\/strong>, \u00e9 apelado\u00a0<strong>2\u00ba OFICIAL DE REGISTRO DE IM\u00d3VEIS E ANEXOS DA COMARCA DE GUARULHOS<\/strong>.<\/p>\n<p><strong>ACORDAM,\u00a0<\/strong>em Conselho Superior de Magistratura do Tribunal de Justi\u00e7a de S\u00e3o Paulo, proferir a seguinte decis\u00e3o:\u00a0<strong>&#8220;Julgaram prejudicada a d\u00favida, deixando de conhecer o recurso, v.u. Declarar\u00e1 voto convergente o Desembargador Ricardo Dip.&#8221;,<\/strong>\u00a0de conformidade com o voto do Relator, que integra este Ac\u00f3rd\u00e3o.<\/p>\n<p>O julgamento teve a participa\u00e7\u00e3o dos Exmos. Desembargadores\u00a0<strong>PAULO DIMAS MASCARETTI (Presidente), ADEMIR BENEDITO, XAVIER DE AQUINO, LUIZ ANTONIO DE GODOY, RICARDO DIP (PRES. DA SE\u00c7\u00c3O DE DIREITO P\u00daBLICO) E SALLES ABREU.<\/strong><\/p>\n<p>S\u00e3o Paulo, 2 de fevereiro de 2017.<\/p>\n<p><strong>MANOEL DE QUEIROZ PEREIRA CAL\u00c7AS<\/strong><\/p>\n<p><strong>Corregedor Geral da Justi\u00e7a e Relator<\/strong><\/p>\n<p><strong>Apela\u00e7\u00e3o n\u00ba 0017007-90.2015.8.26.0224<\/strong><\/p>\n<p><strong>Apelante: BANCO CAIXA ECONOMICA FEDERAL<\/strong><\/p>\n<p><strong>Apelado: 2\u00ba Oficial de Registro de Im\u00f3veis e Anexos da Comarca de Guarulhos<\/strong><\/p>\n<p><strong>VOTO N\u00ba 29.635<\/strong><\/p>\n<p><strong>Registro de im\u00f3veis\u00a0\u2013 D\u00favida \u2013 Im\u00f3vel alienado pelo FAR, operado pela Caixa Econ\u00f4mica Federal, sem pr\u00e9vio arrendamento \u2013 Intelig\u00eancia dos artigos 1\u00ba, \u00a73\u00ba, art. 2\u00ba, \u00a77\u00ba, II e art. 8\u00ba, \u00a71\u00ba, da Lei n\u00ba 10.188\/01 \u2013 Exig\u00eancias corretas \u2013 Irresigna\u00e7\u00e3o parcial \u2013 Recurso n\u00e3o conhecido.<\/strong><\/p>\n<p>Inconformada com a senten\u00e7a que manteve a recusa do 2\u00ba Oficial de Registro de Im\u00f3veis de Guarulhos em registrar instrumento particular de venda e compra, a Caixa Econ\u00f4mica Federal interp\u00f5e recurso de apela\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A recusa baseou-se em dois pontos: a 2\u00aa ressalva das\u00a0<em>informa\u00e7\u00f5es adicionais\/ressalvas\u00a0<\/em>do contrato deve ser exclu\u00edda; cuidando-se de oferta de im\u00f3vel em licita\u00e7\u00e3o, na modalidade concorr\u00eancia p\u00fablica, tendo em vista o disposto no art. 17, I, o contrato dever\u00e1 atender a todos os requisitos do art. 61 da Lei n\u00ba 8.666\/93.<\/p>\n<p>A recorrente pretende o registro de instrumento atrav\u00e9s do qual aliena im\u00f3vel sob o regime da Lei 10.188\/01, n\u00e3o por meio de arrendamento residencial, mas por oferta em licita\u00e7\u00e3o, na modalidade concorr\u00eancia p\u00fablica\/venda direta. Entende, por isso, que se aplica o art. 1\u00ba, \u00a73\u00ba, da referida lei, de maneira isolada, raz\u00e3o pela qual o requisito temporal impeditivo de posterior aliena\u00e7\u00e3o, do art. 8\u00ba, \u00a71\u00ba\u00a0<em>O contrato de compra e venda referente ao im\u00f3vel objeto de arrendamento residencial que vier a ser alienado na forma do inciso II do \u00a7 7o do art. 2o desta Lei, ainda que o pagamento integral seja feito \u00e0 vista,\u00a0<strong>contemplar\u00e1 cl\u00e1usula impeditiva de o adquirente, no prazo de 24<\/strong>\u00a0<strong>(vinte e quatro) meses, vender, prometer vender ou ceder seus direitos<\/strong>\u00a0<strong>sobre o im\u00f3vel alienado\u00a0<\/strong><\/em>n\u00e3o incide.<\/p>\n<p>Dessa forma, pretende o registro do t\u00edtulo com a 2\u00aa ressalva das\u00a0<em>informa\u00e7\u00f5es adicionais\/ressalvas: \u201cPara este neg\u00f3cio n\u00e3o<\/em>\u00a0<em>deve existir a restri\u00e7\u00e3o de 24 meses para revender o im\u00f3vel, com<\/em>\u00a0<em>fundamento no \u00a73\u00ba do art. 1\u00ba da Lei 10.188\/01: Fica facultada a<\/em>\u00a0<em>aliena\u00e7\u00e3o, sem pr\u00e9vio arrendamento, ou a cess\u00e3o de direitos dos<\/em>\u00a0<em>im\u00f3veis adquiridos no \u00e2mbito do Programa.<\/em>\u201d<\/p>\n<p>A Procuradoria Geral de Justi\u00e7a manifestou-se pelo n\u00e3o provimento do recurso.<\/p>\n<p><em>\u00c9 o relat\u00f3rio<\/em>.<\/p>\n<p>O recurso n\u00e3o deve ser conhecido, na medida em que n\u00e3o houve impugna\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 exig\u00eancia de adapta\u00e7\u00e3o do t\u00edtulo \u00e0 Lei de Licita\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>A concord\u00e2ncia parcial com as exig\u00eancias do Oficial prejudica o pedido, que s\u00f3 admite duas solu\u00e7\u00f5es: a determina\u00e7\u00e3o do registro do t\u00edtulo protocolado e prenotado, que \u00e9 analisado, em reexame da qualifica\u00e7\u00e3o, tal como se encontrava no momento em que surgida dissens\u00e3o entre a apresentante e o Oficial de Registro; ou a manuten\u00e7\u00e3o da recusa do Oficial. Para que se possa decidir se o t\u00edtulo pode ser registrado ou n\u00e3o \u00e9 preciso que todas as exig\u00eancias e n\u00e3o apenas parte delas sejam reexaminadas pelo Corregedor Permanente. Nesse sentido, \u00e9 pac\u00edfica a jurisprud\u00eancia deste Egr\u00e9gio Conselho Superior.<\/p>\n<p>Contudo, muito embora prejudicada a d\u00favida, devese analisar a quest\u00e3o de fundo, a fim de evitar que, supridas as exig\u00eancias, a interessada venha a ter que se valer, novamente, do procedimento.<\/p>\n<p>N\u00e3o se trata de exame de consulta, em tese, mas de an\u00e1lise de caso concreto. O Conselho n\u00e3o atua como mero \u00f3rg\u00e3o consultivo, mas como regulador de uma situa\u00e7\u00e3o de fato. Uma vez resolvida a controv\u00e9rsia, o tema n\u00e3o ser\u00e1 mais levado \u00e0 Corregedoria Permanente, dado que o Oficial j\u00e1 ter\u00e1 orienta\u00e7\u00e3o clara sobre como proceder.<\/p>\n<p>Ao contr\u00e1rio do exerc\u00edcio de fun\u00e7\u00e3o jurisdicional, cuja ess\u00eancia \u00e9 teleol\u00f3gica, a fun\u00e7\u00e3o administrativa, exercida no \u00e2mbito do julgamento das d\u00favidas, tem car\u00e1ter disciplinador. Enquanto, na fun\u00e7\u00e3o jurisdicional, visa-se ao julgamento do m\u00e9rito, com posterior forma\u00e7\u00e3o de coisa julgada e impossibilidade de rediscuss\u00e3o para as partes, o julgamento das d\u00favidas n\u00e3o se presta somente a decidir o caso concreto, mas a servir de orienta\u00e7\u00e3o aos registradores para casos an\u00e1logos.<\/p>\n<p>Logo, por esses dois \u00e2ngulos \u00e9 importante a an\u00e1lise do m\u00e9rito, ainda que prejudicada a d\u00favida:<\/p>\n<blockquote><p>a) evita-se a nova suscita\u00e7\u00e3o;<\/p>\n<p>b) fixa-se orienta\u00e7\u00e3o para casos similares.<\/p><\/blockquote>\n<p>Passa-se ao exame do caso, portanto.<\/p>\n<p>A necessidade de adapta\u00e7\u00e3o do contrato ao art. 61 da Lei de Licita\u00e7\u00f5es \u00e9 cogente. Basta ler o teor do dispositivo:\u00a0<em>Art. 61. Todo contrato deve mencionar os nomes das partes e os de seus representantes, a finalidade, o ato que autorizou a sua lavratura, o n\u00famero do processo da licita\u00e7\u00e3o, da dispensa ou da inexigibilidade,\u00a0<strong>a<\/strong>\u00a0<strong>sujei\u00e7\u00e3o dos contratantes \u00e0s normas desta Lei\u00a0<\/strong>e \u00e0s cl\u00e1usulas contratuais.<\/em><\/p>\n<p>Da leitura do t\u00edtulo, n\u00e3o se verifica, por\u00e9m, a teor do art. 24, V\u00a0<em>quando n\u00e3o acudirem interessados \u00e0 licita\u00e7\u00e3o anterior e<\/em>\u00a0<em>esta, justificadamente, n\u00e3o puder ser repetida sem preju\u00edzo para a<\/em>\u00a0<em>Administra\u00e7\u00e3o, mantidas, neste caso, todas as condi\u00e7\u00f5es<\/em>\u00a0<em>preestabelecidas\u00a0<\/em>qualquer justificativa para a aus\u00eancia de repeti\u00e7\u00e3o da licita\u00e7\u00e3o, ainda que na modalidade de concorr\u00eancia (art. 17, I, da Lei n\u00ba 8.666\/93).<\/p>\n<p>A exig\u00eancia nesse sentido de mais a mais, n\u00e3o impugnada deve, assim, ser cumprida.<\/p>\n<p>No que toca ao afastamento da restri\u00e7\u00e3o contida no art. 8\u00ba, \u00a71\u00ba, da Lei n\u00ba 10.188\/01, tamb\u00e9m tem raz\u00e3o o Oficial. A 2\u00aa ressalva feita no campo das i<em>nforma\u00e7\u00f5es adicionais\/ressalvas\u00a0<\/em>\u00e9 inadmiss\u00edvel.<\/p>\n<p>A recorrente aduz que a restri\u00e7\u00e3o, por 24 meses, para a revenda do im\u00f3vel pelo adquirente n\u00e3o se aplica, defendendo, para isso, uma leitura isolada do art. 3\u00ba, \u00a71\u00ba, da Lei n\u00ba 10.188\/01. Essa, por\u00e9m, n\u00e3o parece a melhor interpreta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A Lei n\u00ba 10.188\/01 criou o programa de arrendamento residencial e instituiu o arrendamento residencial com op\u00e7\u00e3o de compra. Por seu interm\u00e9dio, criou-se o PAR Programa de Arrendamento Residencial, cuja gest\u00e3o cabe ao Minist\u00e9rio das Cidades, e a operacionaliza\u00e7\u00e3o, \u00e0 Caixa Econ\u00f4mica Federal. J\u00e1 para a operacionaliza\u00e7\u00e3o do Programa, a CEF foi autorizada a criar um fundo, que se denomina FAR Fundo de Arrendamento Residencial.<\/p>\n<p>Tal Fundo, a teor do art. 2\u00ba, \u00a73\u00ba, \u00e9 constitu\u00eddo de bens e direitos, que n\u00e3o se comunicam com o patrim\u00f4nio da CEF; n\u00e3o integram seu ativo; n\u00e3o respondem direta ou indiretamente por qualquer obriga\u00e7\u00e3o da CEF; n\u00e3o comp\u00f5em a lista de bens e direitos da CEF para efeitos de liquida\u00e7\u00e3o judicial ou extrajudicial; n\u00e3o podem ser dados em garantia de d\u00e9bito de opera\u00e7\u00e3o da CEF; n\u00e3o s\u00e3o pass\u00edveis de execu\u00e7\u00e3o por credores da CEF; quantos aos im\u00f3veis, n\u00e3o s\u00e3o pass\u00edveis de constitui\u00e7\u00e3o de \u00f4nus reais (incisos I a VI).<\/p>\n<p>Vale dizer, trata-se de um Fundo exterior \u00e0 CEF, pass\u00edvel, conforme o art. 2\u00ba-A, \u00a72\u00ba, de direitos e obriga\u00e7\u00f5es pr\u00f3prias, pelas quais responde com seu patrim\u00f4nio.<\/p>\n<p>Por isso, no contrato, figuram: o FAR, como vendedor; a Caixa Econ\u00f4mica Federal, como credora fiduci\u00e1ria; a pessoa f\u00edsica, como compradora e devedora fiduciante.<\/p>\n<p>Vale dizer, alienou-se o im\u00f3vel \u00e0 pessoa f\u00edsica, sem pr\u00e9vio arrendamento, contratando-se um m\u00fatuo, garantido por aliena\u00e7\u00e3o fiduci\u00e1ria do im\u00f3vel.<\/p>\n<p>A recorrente afirma que o art. 1\u00ba, \u00a73\u00ba, da Lei n\u00ba 10.188\/01 permite essa opera\u00e7\u00e3o e, \u00e0 falta de pr\u00e9vio arrendamento, n\u00e3o se aplica a restri\u00e7\u00e3o temporal, para revenda, do art. 8\u00ba, \u00a71\u00ba.<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 isso, no entanto, o que traduz uma leitura atenta e sistem\u00e1tica da Lei n\u00ba 10.188\/01.<\/p>\n<p>Tr\u00eas dispositivos interessam \u00e0 presente discuss\u00e3o: os artigos 1\u00ba, \u00a73\u00ba, 2\u00ba, \u00a77\u00ba, II e 8\u00ba, \u00a71\u00ba. Por que eles devem ser lidos em conjunto? Porque todos foram inseridos pela mesma Lei n\u00ba 11.474\/07. Vejamos, mais uma vez, suas reda\u00e7\u00f5es:<\/p>\n<blockquote><p><em>Art. 1\u00ba, \u00a73\u00ba Fica facultada a aliena\u00e7\u00e3o, sem pr\u00e9vio arrendamento, ou a cess\u00e3o de direitos dos im\u00f3veis adquiridos no \u00e2mbito do Programa.<\/em>\u201d<\/p>\n<p><em>Art. 2\u00ba, \u00a7 7o A aliena\u00e7\u00e3o dos im\u00f3veis pertencentes ao patrim\u00f4nio do fundo a que se refere o caput deste artigo ser\u00e1 efetivada diretamente pela CEF, constituindo o instrumento de aliena\u00e7\u00e3o documento h\u00e1bil para cancelamento, perante o Cart\u00f3rio de Registro de Im\u00f3veis, das averba\u00e7\u00f5es pertinentes \u00e0s restri\u00e7\u00f5es e ao destaque de que tratam os \u00a7\u00a7 3o e 4o deste artigo, observando-se:<\/em><\/p>\n<p><em>I o decurso do prazo contratual do Arrendamento Residencial; ou<\/em><\/p>\n<p><em>II a crit\u00e9rio do gestor do Fundo, o processo de desimobiliza\u00e7\u00e3o do fundo financeiro de que trata o caput deste artigo.<\/em><\/p>\n<p><em>Art. 8\u00ba<\/em>, \u00a71\u00ba\u00a0<em>O contrato de compra e venda referente ao im\u00f3vel objeto de arrendamento residencial que vier a ser alienado na forma do inciso II do \u00a7 7o do art. 2o desta Lei, ainda que o pagamento integral seja feito \u00e0 vista, contemplar\u00e1 cl\u00e1usula impeditiva de o adquirente, no prazo de 24 (vinte e quatro) meses, vender, prometer vender ou ceder seus direitos sobre o im\u00f3vel alienado.<\/em><\/p><\/blockquote>\n<p>Pois bem. Ao alterar a Lei n\u00ba 10.188\/01, a Lei n\u00ba 11.474\/07, a um s\u00f3 tempo, teve que assentar, em suas disposi\u00e7\u00f5es gerais: a) a possibilidade de aliena\u00e7\u00e3o, sem pr\u00e9vio arrendamento; b) a figura da desimobiliza\u00e7\u00e3o; c) consequentemente, a cria\u00e7\u00e3o do prazo de car\u00eancia de 24 meses para revenda.<\/p>\n<p>A inten\u00e7\u00e3o foi a de viabilizar a aliena\u00e7\u00e3o dos im\u00f3veis n\u00e3o adquiridos, sem a necessidade de arrendamento, mas atrav\u00e9s da venda com pagamento \u00e0 vista ainda que atrav\u00e9s de m\u00fatuo, com aliena\u00e7\u00e3o fiduci\u00e1ria. Para tanto, previram-se a exce\u00e7\u00e3o ao arrendamento (art. 1\u00ba, \u00a73\u00ba) e a figura da desimobiliza\u00e7\u00e3o (art. 2\u00ba, \u00a77\u00ba, II), mas, ao mesmo tempo, para evitar a especula\u00e7\u00e3o imobili\u00e1ria, desvirtuando-se a inten\u00e7\u00e3o da lei oferta de moradia \u00e0 popula\u00e7\u00e3o carente , impediu-se a revenda por 24 meses, em qualquer forma (<em>vender, prometer vender ou ceder seus direitos sobre o im\u00f3vel<\/em>\u00a0<em>alienado).<\/em><\/p>\n<p>Logo, n\u00e3o \u00e9 pertinente a leitura estanque de apenas um dos dispositivos acrescidos pela Lei n\u00ba 11.474\/07.<\/p>\n<p>A alicer\u00e7ar essa conclus\u00e3o, tome-se not\u00edcia extra\u00edda da \u201cAg\u00eancia C\u00e2mara de Not\u00edcias\u201d, de 27\/03\/2007, a respeito da Medida Provis\u00f3ria n\u00ba 350\/07, posteriormente convertida na Lei n\u00ba 11.474\/07 (<a href=\"http:\/\/www2.camara.leg.br\/camaranoticias\/noticias\/100280.html\">http:\/\/www2.camara.leg.br\/camaranoticias\/noticias\/100280.html<\/a>):<\/p>\n<blockquote><p><em>C\u00e2mara aprova compra antecipada de im\u00f3vel arrendado.<\/em><\/p>\n<p><em>O Plen\u00e1rio aprovou nesta ter\u00e7a-feira a Medida Provis\u00f3ria 350\/07, que modifica as regras do Programa de Arrendamento Residencial (PAR). A medida permite a venda direta de im\u00f3veis pela Caixa Econ\u00f4mica Federal (CEF) \u00e0 popula\u00e7\u00e3o de baixa renda que participe do programa sem a necessidade de se cumprir contrato de arrendamento por 15 anos.<\/em><\/p>\n<p><em>Com a MP, o prazo de arrendamento n\u00e3o precisa mais ser cumprido se o participante do programa tiver o dinheiro para a compra. As diretrizes para essa venda direta ser\u00e3o estabelecidas pelo Minist\u00e9rio das Cidades, que dever\u00e1 editar\u00a0uma portaria regulamentado o tema. A MP tamb\u00e9m faz parte do Programa de Acelera\u00e7\u00e3o do Crescimento (PAC) e ainda ser\u00e1 votada pelo Senado.<\/em><\/p>\n<p><em>A mat\u00e9ria foi aprovada na forma de um projeto de lei de convers\u00e3o apresentado pelo deputado Dagoberto (PDT-MS), que fez poucas modifica\u00e7\u00f5es no texto original. Uma das mudan\u00e7as torna mais claro que a Caixa poder\u00e1 vender os im\u00f3veis j\u00e1 adquiridos sem arrendamento pr\u00e9vio.<\/em><\/p>\n<p><em>&#8230;<\/em><\/p>\n<p><strong><em>Prazo de venda<\/em><\/strong><\/p>\n<p><strong><em>Outro ponto alterado pelo relator diminui de 30 para 24 meses o prazo durante o qual o participante do PAR n\u00e3o poder\u00e1 vender o im\u00f3vel comprado por meio da aliena\u00e7\u00e3o direta agora permitida pela MP. Esse impedimento deve constar do contrato de compra e venda do im\u00f3vel.<\/em><\/strong><\/p>\n<p><em>Dagoberto manteve ainda artigo que permite a redu\u00e7\u00e3o do prazo segundo crit\u00e9rio a ser definido pelo Minist\u00e9rio das Cidades.<\/em><\/p><\/blockquote>\n<p>Por tais raz\u00f5es, ambas as exig\u00eancias foram corretas.<\/p>\n<p>Nesses termos, pelo meu voto,\u00a0<strong>julgo prejudicada a d\u00favida<\/strong>,\u00a0<strong>deixando de conhecer o recurso<\/strong>.<\/p>\n<p><strong>MANOEL DE QUEIROZ PEREIRA CAL\u00c7AS<\/strong><\/p>\n<p><strong>Corregedor Geral da Justi\u00e7a e Relator<\/strong><\/p>\n<p><strong>VOTO 45.335\u00a0<\/strong>(com diverg\u00eancia):<\/p>\n<p>1. Acompanho a\u00a0<strong>conclus\u00e3o\u00a0<\/strong>do respeit\u00e1vel voto de Relatoria.<\/p>\n<p>2. Pe\u00e7o reverente licen\u00e7a, entretanto, para n\u00e3o aderir \u00e0 \u201can\u00e1lise de m\u00e9rito\u201d a que se lan\u00e7ou\u00a0<strong>ap\u00f3s<\/strong><strong>afirmar n\u00e3o conhecer do recurso<\/strong>.<\/p>\n<p>3. Ao registrador p\u00fablico, tendo afirmada,\u00a0<em>per naturam legemque positam<\/em>, a\u00a0<strong>independ\u00eancia na<\/strong><strong>qualifica\u00e7\u00e3o jur\u00eddica\u00a0<\/strong>(<em>vide\u00a0<\/em>arts. 3\u00ba e 28 da Lei n. 8.935, de 18-11-1994), n\u00e3o parece possam impor-se, nessa esfera de qualifica\u00e7\u00e3o, \u201corienta\u00e7\u00f5es\u201d pr\u00e9vias e abstratas de car\u00e1ter hier\u00e1rquico.<\/p>\n<p>Assim, o registrador tem o\u00a0<strong>dever\u00a0<\/strong>de qualifica\u00e7\u00e3o jur\u00eddica e o\u00a0<strong>direito\u00a0<\/strong>de efetiv\u00e1-la com independ\u00eancia profissional,\u00a0<em>in suo ordine<\/em>.<\/p>\n<p>4. Vem a prop\u00f3sito que a colenda Corregedoria Geral da Justi\u00e7a paulista, em seu c\u00f3digo de normas, enuncia:<\/p>\n<p>\u201cOs oficiais de Registro de Im\u00f3veis gozam de independ\u00eancia jur\u00eddica no exerc\u00edcio de suas fun\u00e7\u00f5es e exercem essa prerrogativa quando interpretam disposi\u00e7\u00e3o legal ou normativa. (\u2026)\u201d (item 9\u00ba do cap. XX das \u201cNormas de Servi\u00e7o da Corregedoria Geral da Justi\u00e7a de S\u00e3o Paulo\u201d).<\/p>\n<p>5. Se o que basta n\u00e3o bastara, calha que os \u00f3rg\u00e3os dotados de\u00a0<em>potestas\u00a0<\/em>para editar\u00a0<strong>regras<\/strong><strong>t\u00e9cnicas\u00a0<\/strong>relativas aos registros p\u00fablicos s\u00e3o os\u00a0<strong>ju\u00edzes<\/strong><strong>competentes para o exerc\u00edcio da fun\u00e7\u00e3o correcional<\/strong>\u00a0(o que inclui a egr\u00e9gia Corregedoria Geral da Justi\u00e7a; cf. inc. XIV do art. 29 da Lei n. 8.935\/1994). Essa fun\u00e7\u00e3o de corregedoria dos registros, em inst\u00e2ncia administrativa final no Estado de S\u00e3o Paulo,\u00a0<strong>n\u00e3o<\/strong>\u00a0<strong>compete a este Conselho Superior da Magistratura<\/strong>, Conselho que, a meu ver, n\u00e3o det\u00e9m, ao rev\u00e9s do que respeitavelmente entendeu o venerando voto de rela\u00e7\u00e3o, \u201cpoder disciplinador\u201d sobre os registros e as notas (v., a prop\u00f3sito, os incs. XVII a XXXIII do art. 28 do Regimento Interno deste Tribunal).<\/p>\n<p>6. Averbo, por fim, que a admitir-se a pretendida for\u00e7a normativa da ventilada \u201corienta\u00e7\u00e3o\u201d, n\u00e3o s\u00f3 os ju\u00edzes corregedores permanentes estariam jungidos a observ\u00e1-la, mas tamb\u00e9m as futuras composi\u00e7\u00f5es deste mesmo Conselho.<\/p>\n<p>Deste modo, voto no sentido de que se exclua a r. \u201corienta\u00e7\u00e3o para casos similares\u201d.<\/p>\n<p>\u00c9,\u00a0<em>da veniam<\/em>,\u00a0<strong>meu voto de vencido<\/strong>.<\/p>\n<p><strong>DES. RICARDO DIP<\/strong><\/p>\n<p><strong>PRESIDENTE DA SE\u00c7\u00c3O DE DIREITO P\u00daBLICO.\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>(DJe de 05.09.2017 &#8211; SP)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>AC\u00d3RD\u00c3O Vistos, relatados e discutidos estes autos do(a)\u00a0Apela\u00e7\u00e3o n\u00ba 0017007-90.2015.8.26.0224,\u00a0da Comarca de\u00a0Guarulhos, em que s\u00e3o partes \u00e9 apelante\u00a0BANCO CAIXA ECONOMICA FEDERAL, \u00e9 apelado\u00a02\u00ba OFICIAL DE REGISTRO DE IM\u00d3VEIS E ANEXOS DA COMARCA DE GUARULHOS. ACORDAM,\u00a0em Conselho Superior de Magistratura do Tribunal de Justi\u00e7a de S\u00e3o Paulo, proferir a seguinte decis\u00e3o:\u00a0&#8220;Julgaram prejudicada a d\u00favida, deixando de [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[37],"tags":[],"class_list":["post-13700","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-csm-sao-paulo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.26notas.com.br\/blog\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/13700","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.26notas.com.br\/blog\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.26notas.com.br\/blog\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.26notas.com.br\/blog\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.26notas.com.br\/blog\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=13700"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.26notas.com.br\/blog\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/13700\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.26notas.com.br\/blog\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=13700"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.26notas.com.br\/blog\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=13700"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.26notas.com.br\/blog\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=13700"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}