{"id":12341,"date":"2016-07-01T13:50:19","date_gmt":"2016-07-01T15:50:19","guid":{"rendered":"https:\/\/www.26notas.com.br\/blog\/?p=12341"},"modified":"2016-07-01T13:50:19","modified_gmt":"2016-07-01T15:50:19","slug":"csmsp-registro-de-imoveis-escritura-publica-de-inventario-e-partilha-ofensa-ao-principio-da-especialidade-objetiva-ccir-do-imovel-rural-exigencia-pertinente","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.26notas.com.br\/blog\/?p=12341","title":{"rendered":"CSM|SP: Registro de Im\u00f3veis \u2013 Escritura P\u00fablica de invent\u00e1rio e partilha \u2013 Ofensa ao princ\u00edpio da especialidade objetiva \u2013 CCIR do im\u00f3vel rural \u2013 Exig\u00eancia pertinente \u2013 Insufici\u00eancia do CCIR da fra\u00e7\u00e3o ideal partilhada \u2013 D\u00favida procedente \u2013 Recurso desprovido com observa\u00e7\u00e3o."},"content":{"rendered":"<p><strong>AC\u00d3RD\u00c3O<\/strong><\/p>\n<p>Vistos, relatados e discutidos estes autos do(a) Apela\u00e7\u00e3o n\u00ba 9000002-83.2015.8.26.0099, da Comarca de Bragan\u00e7a Paulista, em que s\u00e3o partes s\u00e3o apelantes ADAIR FERNANDA CAVALCANTI e MATEUS CAVALCANTI IZZO, \u00e9 apelado OFICIAL DE REGISTRO DE IM\u00d3VEIS E ANEXOS DA COMARCA DE BRAGAN\u00c7A PAULISTA.<\/p>\n<p><strong>ACORDAM, <\/strong>em Conselho Superior de Magistratura do Tribunal de Justi\u00e7a de S\u00e3o Paulo, proferir a seguinte decis\u00e3o: &#8220;Negaram provimento ao recurso, com observa\u00e7\u00e3o, V. U.&#8221;, de conformidade com o voto do Relator, que integra este Ac\u00f3rd\u00e3o.<\/p>\n<p>O julgamento teve a participa\u00e7\u00e3o dos Exmos. Desembargadores PAULO DIMAS MASCARETTI (Presidente), ADEMIR BENEDITO, XAVIER DE AQUINO, LUIZ ANTONIO DE GODOY, RICARDO DIP E SALLES ABREU.<\/p>\n<p>S\u00e3o Paulo, 9 de junho de 2016.<\/p>\n<p><strong>PEREIRA CAL\u00c7AS, CORREGEDOR GERAL DA JUSTI\u00c7A E RELATOR<\/strong><\/p>\n<p><strong>Apela\u00e7\u00e3o n\u00ba 9000002-83.2015.8.26.0099<\/strong><\/p>\n<p><strong>Apelantes: Adair Fernanda Cavalcanti e Mateus Cavalcanti Izzo<\/strong><\/p>\n<p><strong>Apelado: Oficial de Registro de Im\u00f3veis e Anexos da Comarca de Bragan\u00e7a Paulista<\/strong><\/p>\n<p><strong>Voto n\u00ba 29.243<\/strong><\/p>\n<p><strong>REGISTRO DE IM\u00d3VEIS \u2013 Escritura P\u00fablica de invent\u00e1rio e partilha \u2013 Ofensa ao princ\u00edpio da especialidade objetiva \u2013 CCIR do im\u00f3vel rural \u2013 Exig\u00eancia pertinente \u2013 Insufici\u00eancia do CCIR da fra\u00e7\u00e3o ideal partilhada \u2013 D\u00favida procedente \u2013 Recurso desprovido com observa\u00e7\u00e3o.<\/strong><\/p>\n<p>Ao suscitar d\u00favida, o Oficial de Registro justificou a necessidade do Certificado de Cadastro de Im\u00f3vel Rural CCIR, ent\u00e3o indispens\u00e1vel para o registro da escritura p\u00fablica de invent\u00e1rio e partilha. Acrescentou, no mais, que n\u00e3o basta o CCIR relativo \u00e0 parte ideal objeto da sucess\u00e3o <em>causa mortis<\/em>, porque inafast\u00e1vel o referente \u00e0 \u00e1rea total do im\u00f3vel.[1]<\/p>\n<p>Certificado o decurso do prazo para impugna\u00e7\u00e3o[2], e ap\u00f3s parecer do Minist\u00e9rio P\u00fablico[3], a d\u00favida foi julgada procedente[4], motivo por que os suscitados, afirmando ser suficiente o CCIR da fra\u00e7\u00e3o ideal do im\u00f3vel rural contemplada na partilha, interpuseram apela\u00e7\u00e3o[5], recebida no seu duplo efeito[6].<\/p>\n<p>Por fim, a Procuradoria Geral da Justi\u00e7a prop\u00f4s o provimento do recurso[7].<\/p>\n<p><strong>\u00c9 o relat\u00f3rio.<\/strong><\/p>\n<p>O dissenso versa sobre a registrabilidade da escritura de invent\u00e1rio e partilha do esp\u00f3lio de Jos\u00e9 Fernando Izzo[8]. Seu ingresso no f\u00f3lio real foi recusado pelo Oficial porque ausente o CCIR do bem im\u00f3vel rural identificado na mat. n.\u00ba 7.565 do RI de Bragan\u00e7a Paulista, com \u00e1rea equivalente a 107.200,00 m\u00b2[9].<\/p>\n<p>Para os recorrentes, entretanto, \u00e9 suficiente o CCIR relativo \u00e0 fra\u00e7\u00e3o ideal partilhada, correspondente a 23,23041% do todo, que \u00e9 indicado no t\u00edtulo e restou documentalmente comprovado[10]. Nada obstante, por\u00e9m, o esfor\u00e7o argumentativo, os interessados n\u00e3o t\u00eam raz\u00e3o.<\/p>\n<p>Por for\u00e7a do princ\u00edpio da unitariedade, a cada im\u00f3vel deve corresponder uma \u00fanica matr\u00edcula. E a identifica\u00e7\u00e3o do im\u00f3vel, por for\u00e7a do princ\u00edpio da especialidade objetiva e, particularmente, da regra do art. 176, II, 3, a, da Lei n.\u00ba 6.015\/1973, sup\u00f5e os dados constantes do CCIR.<\/p>\n<p>Esse, portanto, o Certificado de Cadastro de Im\u00f3vel Rural, deve referir-se a sua \u00e1rea total, de modo a singulariz\u00e1-lo, e n\u00e3o, sob essa \u00f3tica, reportar-se a fra\u00e7\u00e3o ideal da coisa. Assim sendo, se a sucess\u00e3o <em>causa mortis <\/em>contempla bem im\u00f3vel rural, exige-se o CCIR correspondente, n\u00e3o atendendo o rigor legal alus\u00e3o a certificado de parte ideal do todo.<\/p>\n<p>Conv\u00e9m lembrar que a exig\u00eancia de apresenta\u00e7\u00e3o do Certificado de Cadastro de Im\u00f3vel Rural (CCIR) expedido pelo INCRA, previsto no Estatuto da Terra (Lei n.\u00ba 4.504\/1964[11]), n\u00e3o \u00e9 nova: consta do art. 22 da Lei n.\u00ba 4.947\/1966, que faz expressa men\u00e7\u00e3o a sua exibi\u00e7\u00e3o por ocasi\u00e3o da sucess\u00e3o <em>causa mortis<\/em>[12], e, mais recentemente, do art. 1.\u00ba do Decreto n.\u00ba 4.449\/2002, que regulamentou a Lei n.\u00ba 10.267\/2001, diploma legal que, entre outras, promoveu altera\u00e7\u00f5es no art. 176 da Lei n.\u00ba 6.015\/1973 para fazer constar a necessidade da identifica\u00e7\u00e3o do bem im\u00f3vel rural contemplar seu c\u00f3digo e os dados constantes do CCIR.<\/p>\n<p>Dentro desse contexto, a deficiente identifica\u00e7\u00e3o do im\u00f3vel rural impede a inscri\u00e7\u00e3o pretendida, pois em desconformidade com os princ\u00edpios da legalidade e da especialidade objetiva. A exig\u00eancia questionada, em suma, encontra respaldo nas disposi\u00e7\u00f5es legais acima especificadas, bem como nos itens 59, a.1, 65, a, 115, c, do Cap. XIV, 59, II, e 59.1, do Cap. XX das NSCGJ.<\/p>\n<p>Em arremate, constata-se, na matr\u00edcula, a ocorr\u00eancia de diversas (e antigas) aliena\u00e7\u00f5es de partes ideais com metragens certas, indicativas, assim, de parcelamento irregular do solo, o que, tamb\u00e9m, est\u00e1 a desautorizar a inscri\u00e7\u00e3o pretendida.<\/p>\n<p>Ali\u00e1s, essa situa\u00e7\u00e3o reclama apura\u00e7\u00e3o pelo MM Juiz Corregedor Permanente, a quem caber\u00e1, nessa linha, em expediente pr\u00f3prio, cuja abertura dever\u00e1 ser informada \u00e0 CGJ, apurar a necessidade de regulariza\u00e7\u00e3o e do acautelat\u00f3rio bloqueio da matr\u00edcula.<\/p>\n<p>Isto posto, <strong>pelo meu voto, nego provimento \u00e0 apela\u00e7\u00e3o, com observa\u00e7\u00e3o<\/strong>.<\/p>\n<p><strong>PEREIRA CAL\u00c7AS, Corregedor Geral da Justi\u00e7a e Relator<\/strong><\/p>\n<p>_____________________<\/p>\n<p>[1] Fls. 2-6.<\/p>\n<p>[2] Fls. 88.<\/p>\n<p>[3] Fls. 89-91.<\/p>\n<p>[4] Fls. 93-94.<\/p>\n<p>[5] Fls. 102-105.<\/p>\n<p>[6] Fls. 107.<\/p>\n<p>[7] Fls. 116-118.<\/p>\n<p>[8] Fls. 21-31.<\/p>\n<p>[9] Fls. 76-77.<\/p>\n<p>[10] Fls. 23, cl\u00e1usula 5.1, e 61.<\/p>\n<p>[11] Cf. art. 46.<\/p>\n<p>[12] Cf. \u00a7 2.\u00ba do art. 22 da Lei n.\u00ba 4.947\/1966.<\/p>\n<p>(DJe de 08.07.2016 &#8211; SP)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>AC\u00d3RD\u00c3O Vistos, relatados e discutidos estes autos do(a) Apela\u00e7\u00e3o n\u00ba 9000002-83.2015.8.26.0099, da Comarca de Bragan\u00e7a Paulista, em que s\u00e3o partes s\u00e3o apelantes ADAIR FERNANDA CAVALCANTI e MATEUS CAVALCANTI IZZO, \u00e9 apelado OFICIAL DE REGISTRO DE IM\u00d3VEIS E ANEXOS DA COMARCA DE BRAGAN\u00c7A PAULISTA. 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