{"id":11810,"date":"2016-01-28T12:26:50","date_gmt":"2016-01-28T14:26:50","guid":{"rendered":"https:\/\/www.26notas.com.br\/blog\/?p=11810"},"modified":"2016-01-28T12:26:50","modified_gmt":"2016-01-28T14:26:50","slug":"csmsp-registro-de-imoveis-duvida-imovel-rural-nao-identificacao-como-corpo-certo-descricao-precaria-quebra-do-principio-da-especialidade-objetiva","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.26notas.com.br\/blog\/?p=11810","title":{"rendered":"CSM|SP: Registro de im\u00f3veis \u2013 D\u00favida \u2013 Im\u00f3vel rural \u2013 N\u00e3o identifica\u00e7\u00e3o como corpo certo \u2013 Descri\u00e7\u00e3o prec\u00e1ria \u2013 Quebra do princ\u00edpio da especialidade objetiva \u2013 Impossibilidade de registro de escritura p\u00fablica de venda e compra \u2013 Recurso desprovido."},"content":{"rendered":"<p><strong>AC\u00d3RD\u00c3O<\/strong><\/p>\n<p>Vistos, relatados e discutidos estes autos de <strong>Apela\u00e7\u00e3o n\u00b0 0005085-94.2014.8.26.0189<\/strong>, da Comarca de<strong> Fernand\u00f3polis<\/strong>, em que \u00e9 apelante <strong>APARECIDO ORATI<\/strong>, \u00e9 apelado <strong>OFICIAL DE REGISTRO DE IM\u00d3VEIS, T\u00cdTULOS E DOCUMENTOS E CIVIL DE PESSOA JUR\u00cdDICA DA COMARCA DE FERNAND\u00d3POLIS<\/strong>.<\/p>\n<p><strong>ACORDAM, <\/strong>em Conselho Superior de Magistratura do Tribunal de Justi\u00e7a de S\u00e3o Paulo, proferir a seguinte decis\u00e3o: <strong>&#8220;Negaram provimento ao recurso, v.u.&#8221;<\/strong>, de conformidade com o voto do(a) Relator(a), que integra este ac\u00f3rd\u00e3o.<\/p>\n<p>O julgamento teve a participa\u00e7\u00e3o dos Desembargadores <strong>JOS\u00c9 RENATO NALINI (Presidente), EROS PICELI (VICE PRESIDENTE), GUERRIERI REZENDE (DECANO), ARTUR MARQUES, PINHEIRO FRANCO, RICARDO ANAFE<\/strong>.<\/p>\n<p>S\u00e3o Paulo, 07 de outubro de 2015<\/p>\n<p><strong>HAMILTON ELLIOT AKEL<\/strong><\/p>\n<p><strong>CORREGEDOR GERAL DA JUSTI\u00c7A E RELATOR<\/strong><\/p>\n<p>Apela\u00e7\u00e3o C\u00edvel n\u00ba 0005085-94.2014.8.26.0189<\/p>\n<p>Apelante: APARECIDO ORATI<\/p>\n<p>Apelado: OFICIAL DE REGISTRO DE IM\u00d3VEIS, T\u00cdTULOS E DOCUMENTOS E CIVIL DE PESSOA JUR\u00cdDICA DA COMARCA DE FERNAND\u00d3POLIS<\/p>\n<p><strong>VOTO N\u00ba 34.285<\/strong><\/p>\n<p><strong>Registro de im\u00f3veis \u2013 D\u00favida \u2013 Im\u00f3vel rural \u2013 N\u00e3o identifica\u00e7\u00e3o como corpo certo \u2013 Descri\u00e7\u00e3o prec\u00e1ria \u2013 Quebra do princ\u00edpio da especialidade objetiva \u2013 Impossibilidade de registro de escritura p\u00fablica de venda e compra \u2013 Recurso desprovido.<\/strong><\/p>\n<p>Trata-se de d\u00favida suscitada em face da negativa de registro de escritura p\u00fablica de venda e compra em raz\u00e3o da quebra do princ\u00edpio da especialidade objetiva, j\u00e1 que a fra\u00e7\u00e3o ideal de terreno adquirida n\u00e3o se identifica como corpo certo, dada a precariedade da descri\u00e7\u00e3o da \u00e1rea maior. Acolheu-a \u00e0 senten\u00e7a de fls. 48\/50.<\/p>\n<p>O recorrente alega que, malgrado a precariedade da descri\u00e7\u00e3o da \u00e1rea maior, deveria ser permitido o registro, para que depois se possibilitasse o ajuizamento de usucapi\u00e3o em condom\u00ednio. Afirma que n\u00e3o \u00e9 vi\u00e1vel a retifica\u00e7\u00e3o da \u00e1rea maior nem a extin\u00e7\u00e3o do condom\u00ednio, visto que j\u00e1 n\u00e3o se sabe quem seriam os cond\u00f4minos, n\u00e3o se podendo, a essa altura, refazer a comunh\u00e3o.<\/p>\n<p>A Douta Procuradoria opinou pelo desprovimento do recurso.<\/p>\n<p>\u00c9 o relat\u00f3rio.<\/p>\n<p>O recurso n\u00e3o merece provimento.<\/p>\n<p>Inobstante a negativa de registro empurre o recorrente \u00e0 usucapi\u00e3o, n\u00e3o se vislumbra, na esfera administrativa, no presente caso, outra solu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u00c9 incontroverso que a descri\u00e7\u00e3o da \u00e1rea maior de onde tirada a fra\u00e7\u00e3o adquirida pelo recorrente \u2013 \u00e9 prec\u00e1ria e n\u00e3o permite a defini\u00e7\u00e3o do im\u00f3vel, rural, como um corpo certo.<\/p>\n<p>Os itens 12.1 e 12.1.1, do Cap\u00edtulo XX, das NSCGJ prescrevem:<\/p>\n<p><em>12.1. O acesso ao f\u00f3lio real de atos de<\/em> <em>transfer\u00eancia, desmembramento, parcelamento ou<\/em> <em>remembramento de im\u00f3veis rurais depender\u00e1 de apresenta\u00e7\u00e3o de memorial descritivo elaborado, executado e assinado por profissional habilitado e com a devida Anota\u00e7\u00e3o de Responsabilidade T\u00e9cnica (ART) no Conselho Regional de Engenharia e Agronomia (CREA) ou Registro de Responsabilidade T\u00e9cnica (RRT) no Conselho de Arquitetura e Urbanismo (CAU), contendo as coordenadas dos v\u00e9rtices definidores dos limites dos im\u00f3veis rurais, georreferenciadas ao Sistema Geod\u00e9sico Brasileiro e com precis\u00e3o posicional estabelecida pelo INCRA, observados os prazos regulamentares.<\/em><\/p>\n<p><em>12.1.1. A descri\u00e7\u00e3o prec\u00e1ria do im\u00f3vel rural, desde que identific\u00e1vel como corpo certo, n\u00e3o impede o registro de sua aliena\u00e7\u00e3o ou onera\u00e7\u00e3o, salvo quando sujeito ao georreferenciamento ou, ainda, quando a transmiss\u00e3o implique atos de parcelamento ou unifica\u00e7\u00e3o, hip\u00f3teses em que ser\u00e1 exigida sua pr\u00e9via retifica\u00e7\u00e3o.<\/em><\/p>\n<p>A leitura <em>a contrario sensu <\/em>do item 12.1.1 n\u00e3o deixa d\u00favidas. Uma vez que o im\u00f3vel rural em quest\u00e3o \u2013 fra\u00e7\u00e3o ideal de \u00e1rea maior descrita precariamente \u2013 n\u00e3o pode ser identificado como corpo certo, o registro resta impedido. Ademais, segundo o artigo 176, par\u00e1grafos 3\u00ba e 5\u00ba, da Lei de Registros P\u00fablicos, o im\u00f3vel, desmembrado de \u00e1rea maior, teria que passar por georreferenciamento.<\/p>\n<p>O registro da escritura, aqui, feriria o princ\u00edpio da especialidade objetiva. Para Afr\u00e2nio de Carvalho, o princ\u00edpio da especialidade do im\u00f3vel significa a sua descri\u00e7\u00e3o como corpo certo, a sua representa\u00e7\u00e3o escrita como individualidade aut\u00f4noma, com o seu modo de ser f\u00edsico, que o torna inconfund\u00edvel e, portanto, heterog\u00eaneo em rela\u00e7\u00e3o a qualquer outro (Reg de Im\u00f3veis: coment\u00e1rios ao sistema de registro em face da Lei 6015\/73, 2\u00aa ed., Rio de Janeiro, 1977, p. 219). Por isso, o im\u00f3vel deve estar perfeitamente descrito no t\u00edtulo objeto de registro de modo a permitir sua exata localiza\u00e7\u00e3o e individualiza\u00e7\u00e3o, n\u00e3o se confundindo com nenhum outro.<\/p>\n<p>A mitiga\u00e7\u00e3o do princ\u00edpio n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel, pois o registro da escritura \u2013 que n\u00e3o se refere ao todo, mas a parte ideal \u2013 n\u00e3o permitiria identificar o im\u00f3vel e isso criaria enorme inseguran\u00e7a jur\u00eddica, al\u00e9m de significar afronta ao mencionado artigo 176, da Lei de Registros P\u00fablicos e \u00e0s Normas de Servi\u00e7o.<\/p>\n<p>Por fim, n\u00e3o se compreende exatamente o que o recorrente entende por &#8220;usucapi\u00e3o em condom\u00ednio&#8221; (fls. 60\/63). Ao que parece, pretende a usucapi\u00e3o sobre a fra\u00e7\u00e3o de que seria propriet\u00e1rio em condom\u00ednio com os detentores das demais partes ideais do todo. Ora, desse racioc\u00ednio n\u00e3o se depreende por que motivo considera poss\u00edvel o registro.<\/p>\n<p>Ao contr\u00e1rio, no caso do recorrente, a usucapi\u00e3o seria justamente a forma de aquisi\u00e7\u00e3o da propriedade, que, por ser origin\u00e1ria, n\u00e3o encontraria os \u00f3bices acima mencionados.<\/p>\n<p>Nesses termos, pelo meu voto, nego provimento ao recurso.<\/p>\n<p><strong>HAMILTON ELLIOT AKEL<\/strong><\/p>\n<p><strong>CORREGEDOR GERAL DA JUSTI\u00c7A E RELATOR <\/strong><\/p>\n<p>(DJe de 26.01.2016 &#8211; SP)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>AC\u00d3RD\u00c3O Vistos, relatados e discutidos estes autos de Apela\u00e7\u00e3o n\u00b0 0005085-94.2014.8.26.0189, da Comarca de Fernand\u00f3polis, em que \u00e9 apelante APARECIDO ORATI, \u00e9 apelado OFICIAL DE REGISTRO DE IM\u00d3VEIS, T\u00cdTULOS E DOCUMENTOS E CIVIL DE PESSOA JUR\u00cdDICA DA COMARCA DE FERNAND\u00d3POLIS. 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