{"id":10251,"date":"2014-11-21T12:14:29","date_gmt":"2014-11-21T14:14:29","guid":{"rendered":"https:\/\/www.26notas.com.br\/blog\/\/?p=10251"},"modified":"2014-11-21T12:14:29","modified_gmt":"2014-11-21T14:14:29","slug":"1a-vrpsp-duvida-registro-de-imoveis-conferencia-de-bens-integralizacao-de-capital-socio-casado-sob-o-regime-da-comunhao-universal-de-bens-conjuge-nao-socia-necessidade-de-transferencia-d","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.26notas.com.br\/blog\/?p=10251","title":{"rendered":"1\u00aa VRP|SP: D\u00favida &#8211; Registro de Im\u00f3veis &#8211; Confer\u00eancia de Bens &#8211; Integraliza\u00e7\u00e3o de Capital &#8211; S\u00f3cio casado sob o regime da Comunh\u00e3o Universal de Bens &#8211; C\u00f4njuge n\u00e3o s\u00f3cia &#8211; Necessidade de transfer\u00eancia de sua cota, n\u00e3o apenas anu\u00eancia, por Escritura P\u00fablica &#8211; D\u00favida procedente."},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Processo n\u00ba 583.00.2008.132948-6<\/strong><br \/>\nCuida-se de d\u00favida imobili\u00e1ria suscitada pelo 10\u00ba Oficial de Registro de Im\u00f3veis da Capital, a requerimento P. Participa\u00e7\u00f5es Ltda., que se insurge contra o \u00f3bice posto consistente na recusa de registro de Contrato Social de constitui\u00e7\u00e3o de empresa nas matr\u00edculas n\u00ba 107.602 e 107.690, nas quais figura como um dos s\u00f3cios como titular dominial M. A. M. F..<br \/>\nSegundo o Oficial Registrador, o t\u00edtulo foi qualificado negativamente porque o interessado \u00e9 casado no regime de comunh\u00e3o universal de bens com M. R. C. M. e pretende dar em confer\u00eancia de bens a totalidade dos im\u00f3veis, sendo que a mulher tamb\u00e9m consta na tabula registral como titular dominial e n\u00e3o \u00e9 s\u00f3cia da referida empresa (fls. 02\/03).<br \/>\nEm impugna\u00e7\u00e3o a sociedade interessada argumenta, em s\u00edntese, que o t\u00edtulo deve ser registrado haja vista que a esposa de Marcelo anuiu expressamente com a confer\u00eancia de bens e que com a integraliza\u00e7\u00e3o total o casal passar\u00e1 a ser propriet\u00e1rio de cotas da Ltda, isso porque s\u00e3o casados no regime de comunh\u00e3o universal de bens (fls. 43\/53).<br \/>\nO Minist\u00e9rio P\u00fablico ofereceu parecer no sentido de proced\u00eancia da d\u00favida (fls. 55\/57).<br \/>\n\u00c9 o relat\u00f3rio.<br \/>\nFundamento e decido.<br \/>\nAssiste raz\u00e3o ao Minist\u00e9rio P\u00fablico e ao Oficial de Registros.<br \/>\nConsta das matr\u00edculas encartadas nos autos que os im\u00f3veis foram adquiridos na const\u00e2ncia do casamento por ambos os c\u00f4njuges, sendo assim, no sil\u00eancio, presume-se que cada um dos c\u00f4njuges \u00e9 propriet\u00e1rio da propor\u00e7\u00e3o de 50% de cada im\u00f3vel.<br \/>\nSe n\u00e3o bastasse isso, s\u00e3o casados no regime de comunh\u00e3o universal de bens o que gera uma confus\u00e3o patrimonial, esse regime de bens \u201ccaracteriza-se pela integra\u00e7\u00e3o total do patrim\u00f4nio particular de cada c\u00f4njuge com o comum, constituindo um acervo \u00fanico em que ambos s\u00e3o titulares de metades ideais (mea\u00e7\u00e3o) [&#8230;]\u201d (C\u00f3digo Civil Comentado, Org. Min. Cezar Peluso, ed. Manole, p. 1628).<br \/>\nPortanto, n\u00e3o basta que a mulher anua com a confer\u00eancia de bens, pois \u00e9 ela propriet\u00e1ria de parte dos im\u00f3veis, ou seja, caso deseje integralizar as cotas do marido dever\u00e1 transferir a sua parte da propriedade \u00e0 sociedade atrav\u00e9s de instrumento p\u00fablico, conforme exige a lei civil.<br \/>\nAdemais, perfeitamente aplic\u00e1vel ao caso o ac\u00f3rd\u00e3o juntado pelo Oficial, porque id\u00eantica a situa\u00e7\u00e3o.<br \/>\nVale a pena cit\u00e1-lo, pois assim \u00e9 o atual entendimento superior:<br \/>\nREGISTRO DE IM\u00d3VEIS. D\u00favida julgada procedente. Recusa de registro de instrumento particular de constitui\u00e7\u00e3o de sociedade, pelo qual um dos s\u00f3cios, casado sob o regime da comunh\u00e3o universal de bens, pretende a confer\u00eancia de bens im\u00f3veis para integrar sua quotas sociais mediante mera anu\u00eancia da mulher. Invi\u00e1vel o registro, em raz\u00e3o da necessidade de a mulher transferir a parte que lhe cabe e n\u00e3o apenas anuir, o que \u00e9 poss\u00edvel somente por escritura p\u00fablica, j\u00e1 que n\u00e3o \u00e9 s\u00f3cia e, portanto, n\u00e3o busca integrar quotas sociais, a exemplo de seu c\u00f4njuge. Senten\u00e7a mantida. Recurso n\u00e3o provido (Apela\u00e7\u00e3o C\u00edvel n\u00ba 626-6\/9, Comarca de Bauru, Rel. Gilberto passos de Freitas 22\/02\/2007).<br \/>\nE complementa no corpo da decis\u00e3o:<br \/>\n\u201cAssim, embora n\u00e3o haja \u00f3bice algum \u00e0 transfer\u00eancia dos bens im\u00f3veis para o fim de integrar quota social, conforme previsto no artigo 167, I, \u201c32\u201d, da Lei de Registros P\u00fablicos, e por meio de instrumento particular, o fato de o regime de bens do casamento do aludido s\u00f3cio ser o da comunh\u00e3o universal, reclama a efetiva transfer\u00eancia e n\u00e3o a simples anu\u00eancia por parte de sua mulher, porque esta tamb\u00e9m \u00e9 propriet\u00e1ria dos im\u00f3veis\u201d.<br \/>\nAssim sendo, acertada a posi\u00e7\u00e3o do Delegado de Registros P\u00fablicos.<br \/>\nDiante do exposto, julgo procedente a d\u00favida suscitada pelo 10\u00ba Oficial de Registros de Im\u00f3veis de S\u00e3o Paulo, a requerimento de PBOMENDES Participa\u00e7\u00f5es Ltda., para manter o \u00f3bice posto.<br \/>\nNada sendo requerido no prazo legal, ao arquivo.<br \/>\nS\u00e3o Paulo, 03 junho de 2008.<br \/>\nGustavo Henrique Bretas Marzag\u00e3o, Juiz de Direito<br \/>\n(D.O.E. de 16.06.2008)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Processo n\u00ba 583.00.2008.132948-6 Cuida-se de d\u00favida imobili\u00e1ria suscitada pelo 10\u00ba Oficial de Registro de Im\u00f3veis da Capital, a requerimento P. 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